Brasileiras em Lisboa promovem maior festival de cinema em português

Gilberto Costa
Correspondente da Agência Brasil/EBC
Lisboa – Começa nesta quarta-feira (3) em Lisboa a quarta edição do Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (Festin). Durante uma semana serão exibidos no tradicional Cinema São Jorge (Avenida Liberdade) cerca de 80 filmes produzidos em Angola, no Brasil, em Cabo Verde, na Guiné-Bissau, em Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.
Este ano, haverá duas sessões competitivas (para filmes de longa e de curta-metragem de ficção), uma homenagem ao cinema de Angola, exibições da Mostra de Inclusão Social do Cinema Brasileiro, além do tributo ao Festival de Gramado. Junto com filmes de ficção, a programação inclui a  apresentação de documentários e animações.
Entre as atrações das sessões competitivas estão O Grande Kilapy – uma produção de Angola, do Brasil e de Portugal, com Lázaro Ramos; a nova versão de Bonitinhamas Ordinária (da peça de Nélson Rodrigues), com João Miguel e Leandra Leal;  o já premiado Colegas, a comédia sobre três jovens com síndrome de Down, apaixonados por cinema; e A Coleção Invisível, último filme de Walmor Chagas (que morreu em janeiro).
A realização do festival é iniciativa de duas jornalistas brasileiras residentes em Portugal – Léa Teixeira e Adriana Niemeyer. Segundo Adriana, o festival tem o propósito de estimular a aproximação dos países que falam o português e gerar um conhecimento mútuo “como existe na literatura”.
Conforme Léa Teixeira, antes do Festin “eram raras as exibições de filmes de língua portuguesa nas salas de cinema [em Portugal]. Principalmente dos brasileiros e africanos”. Adriana lembra que também entre os brasileiros era grande o desconhecimento do cinema dos demais países, inclusive de Portugal. “O Brasil olhava mais para a França e a Inglaterra”.
Para premiar os diretores dos filmes vencedores, as duas jornalistas fizeram uma campanha de arrecadação junto a pessoas físicas e empresas particulares (crowdfunding) para levantar 3 mil euros e pagar os prêmios ao melhor longa-metragem (2,5 mil euros) e melhor curta-metragem (500 euros). Noventa por cento dos recursos já estão arrecadados.
De acordo com Adriana Niemeyer, a realização do Ano do Brasil em Portugal dificultou o levantamento de recursos este ano. “Foi mais difícil, os patrocinadores estão muito divididos”, disse, ao assinalar o apoio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), cuja sede é em Lisboa, e da missão brasileira (Ministério das Relações Exteriores) na própria CPLP.
Paralelamente ao Festin e dentro da programação do Ano do Brasil em Portugal,  a Fundação Nacional de Artes (Funarte) abre na próxima sexta-feira (5) o Cineclube do Espaço Brasil (no bairro de Alcântara, também em Lisboa) com programação de filmes nacionais, especialmente documentários sobre personalidades ligadas à música.
Neste ano, o Festin recebeu mais de 350 filmes para as mostras competitivas. O festival é o maior evento anual no exterior para exibição de filmes falados em português. Além do Festin, há o Festival do Cinema de Países de Língua Portuguesa (Cineport), organizado pela Fundação Ormeo Junqueira Botelho, cujas três últimas edições ocorreram em João Pessoa (PB).
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em Portugal há cerca de 670 mil sessões de filmes por ano. Apesar da crise econômica, o numero de sessões ficou estabilizado entre 2010 e 2011, depois de ter subido do patamar de 605 mil sessões (2007).
Edição: Graça Adjuto

Publicado por Ana Paula Sena de Almeida

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