O papo furado das coisas gratuitas


Escrito por Ana Paula Sena em 02/05/2013.

Gratuito é, no mínimo, para exporem olhares às dúzias de logomarcas. A noção de gratuidade é um desvio de ponto de vista, já que esconde sob o termo “gratuito” alguém que, na verdade, paga a conta. E quem paga tem sempre alguma intenção relativa aos resultados desta exposição gratuitamente realizada. Explico melhor, quando elaboramos projetos e definimos que parte dos recursos aplicados será utilizada na promoção de acessos “gratuitos”, fazemos questão que isso fique diluído ao ponto de esquecermos a lógica de sustentação do âmbito das coisas materiais. E, em se tratando de tempos em que a sustentabilidade é tão discutida, fica meio dúbio este tipo de atitude.
Para o público, gratuito é sempre gratuito e, portanto, passe-se a crer que existem “bonzinhos” que não cobram nada e “mauzinhos” estipulam preços para seus produtos e serviços.
Quem entende mínimo que seja de economia sabe que os “recursos são escassos” para a maioria dos mortais e que, empreendimento significa ação para geração de riquezas, quiçá, quando há sucesso, alguma acumulação de riquezas.
Entendo que alguns sonhadores ainda vendam a ideia de que serviços gratuitos existam. No entanto, para os gestores existem algumas constatações, e elas são bem simples, nem é preciso ser especialista em economia para enumerá-las. Destaco-as em forma de perguntas:
  • Quando algo é gratuito para alguns, de onde vem o recurso e por que foi empregado de tal maneira?
  •  Hoje pode ser gratuito, mas será sempre assim? À custa de quem?
  • Existe algum trabalho sem esforço e, portanto não mensurável em termos de valor financeiro?

Por isso, no caso da Economia da Cultura, Economia Criativa e outros termos que possamos utilizar para nomear esta fatia de mercado, a hipocrisia deve ser colocada de lado e deve prevalecer o bom senso ou, no mínimo, a lógica de funcionamento no mundo das coisas tangíveis. Sabemos que já faz algum tempo que até as coisas intangíveis passaram a ter valor monetário. Cabe a nós observar quaisquer abusos ou desvios de conduta que caibam neste cenário.
Existem os investimentos que são feitos para a formação de audiências, existem as ações de sustentabilidade, que são sistematicamente organizadas e gerenciadas para terem continuidade através de recursos públicos disponibilizados para este fim.
Ainda é preciso superar os tais “complexos católicos” em relação ao dinheiro. Também é verdade que os que “dormem” no ponto fazendo-se de “Polianas” são logo alcançados pelas consequências de uma realidade, mesmo que cheia de pudores inexplicáveis, é mercadológica.
Compreendo e defendo que a cultura seja para todos, porém, os negócios e os projetos culturais habitam o mundo do tangível, mesmo que seus ativos sejam da ordem dos valores agregados intangíveis. Defendo que a cultura popular deva ser protegida de alguma maneira de uma possível ação corrosiva provocada por este movimento capitalista no mercado cultural. No entanto, sejamos profundamente honestos, trabalho é para colocar o pão em nossas mesas. Para a farinha chegar às mãos do padeiro, é preciso plantar o trigo, cultivar, colher, tratar, etc. Pensem apenas nesta cadeia de produção. Quantos homens e mulheres serão beneficiados pela expansão e prosperidade desse evento econômico? Pois bem, para quem ainda tinha medo de entender, isso também vale para a Economia da Cultura.
Da redação do Binóculo Cultural (Blog sustentado com recursos próprios, boa vontade e muita paixão)

Publicado por Ana Paula Sena de Almeida

Eu tenho insights! ;-) www.apsaprojetos.com

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: