Reflexões sobre a Individualidade, conforme LEITURA II – Spinoza

éthique-relations-ensemble

Ainda refletindo o olhar MACROCÓSMICO SOBRE A INDIVIDUALIDADE, conforme a citação:

Podemos evocar neste ponto a maneira como Gilles Deleuze diz que toma emprestado de Duns Scoto uma distinção elaborada na Idade Média, para tentar estudar uma forma de individuação da essência modal, individuação de ordem intensiva, que não exige pensar as essências das coisas singulares da mesma maneira que as coisas existentes, quer dizer, como partes exteriores umas das outras.

Não podemos distinguir as coisas existentes senão na medida em que suas essências são supostas distintas; da mesma maneira, toda distinção prévia. Por isso é provável que uma essência de modo correspondente não existe. Mas como? Voltemos a Duns Scoto: a brancura, diz ele, tem intensidade variáveis: elas não são acrescentadas à brancura como coisa a outra coisa, como uma figura se une a um muro sobre o qual é traçada; os graus de intensidade são determinações intrínsecas, modos intrínsecos da brancura, que permanece univocamente a mesma sob qualquer modalidade que seja considerada. (Deleuze. Spinoza et le problème de l´expression. Paris: De Minuit, 1973, p. 179)

A tonalidade do branco só é vista a partir da união dos pontos por polegada. Vários tons de branco poderão ser encontrados a partir de pontos de vista diferentes. A individualidade não interfere na totalidade do branco mas ela se faz necessária para compor diferentes resultados do todo.

Do infinito ao indivíduo, o ser da substância se exprime na potência singular como potência do múltiplo.

Há uma sincronicidade orgânica/eletromagnética, entre os corpos-substância e ela não se sobrepõe à individualidade mas a complementa, tornando-a potência conforme as combinações entre os corpos.

Tais corpos formam as partes componentes, abstratamente isoladas, dos indivíduos, apresentando propriedades comuns mínimas e, portanto, poucos traços distintos. Inversamente, pode-se adiantar que a única realidade concreta é o indivíduo, corpo composto de uma infinidade de corpos.

Atuando sobre os corpos as leis DO TEMPO, DO ESPAÇO E O ELETROMAGNETISMO. AINDA HÁ LEIS SOBRE ELES QUE DESCONHECEMOS, AS LEIS QUE SE REFEREM AO ATRITO ENTRE OS CORPOS INFORMACIONAIS. (MEMÓRIA, COMUNICAÇÃO, LINGUAGEM E ACOPLAMENTO DE CONSCIÊNCIAS) – Outra Referência: MATURANA – A ÁRVORE DO CONHECIMENTO (2001. 8ª. Ed. De 2010).

De fato, as relações mecânicas entre os modos da extensão provocam uma composição dos corpos. Há assim uma continuidade entre os corpos simples e os corpos compostos, mesmo se os corpos compostos podem distinguir-se uns dos outros segundo uma relação de proporção entre o movimento e o repouso, a velocidade ou a lentidão. Também quanto mais um corpo é composto, mais está em condições de distinguir-se, em numerosos aspectos, dos outros corpos. O próprio corpo humano é um corpo composto. A sua originalidade e sua riqueza respondem aos caracteres gerais dos corpos compostos, mesmo se o corpo humano é, como tal, particularmente complexo, tanto em matéria de composição como de integração, quer dizer, de síntese entre suas partes.

A sincronicidade entre os corpos não depende da fisicalidade deles, está além da velocidade que cada um dos corpos imprime no espaço. O que os conecta é a COMUNICAÇÃO entre eles. Há uma dança no espaço e eles não pisam os pés dos parceiros (risos).

Quando um certo número de corpos da mesma ou de diversas grandezas sofrem da parte dos outros corpos uma pressão a aplicar-se uns sobre os outros; ou, se eles se movem com o mesmo grau ou com graus diferentes de rapidez, de tal maneira que comunicam os seus movimentos entre si segundo uma relação constante, diremos que esses corpos estão unidos entre si e que, em conjunto, formam todos um corpo, isto é, um indivíduo que se distingue dos outros por essa união de corpos. (Ética, II prop. 13, definição após o axioma 2).

Aproximação e distanciamento eletromagnético. Frequência e vibração energética representam as pressões do ambiente, assim como a relação entre os corpos celestes em movimento no espaço.

Spinoza deduz duas leis complementares da formação do indivíduo. De um lado, a coação exterior (a “pressão do ambiente”), que impõe aos corpos uma certa relação;

SINCRONIA. TEMPO E ESPAÇO – ALÉM FISICALIDADE/” interioridade”. COMUNICAÇÃO CONSTANTE.

Mas esta invariância se diversifica numa série mais ou menos rica de relações constantes, que podem estabelecer-se entre as partes do indivíduo, de tal maneira que essas partes se comuniquem o movimento sem prejudicar a unidade do conjunto.

Assim, fica claro que a identidade individual não pode ser concebida fora das relações que o indivíduo é suscetível de manter com o mundo exterior. O indivíduo, de fato, é inteiramente constituído pelas relações exteriores que se estabelecem entre os modos da matéria; em si mesmo ele é uma composição de corpos que vai ao infinito, sem que em parte alguma uma “interioridade” possa ser descoberta.

Leis de Kepler sobre as órbitas dos corpos celestes. Como e porque eles não colidem.

(…) que o indivíduo é igualmente uma essência, atualizada pela relação entre as coisas finitas: essa essência própria age como tendência a perseverar no ser e a resistir àquilo que tende a destruir o indivíduo. (Ética, II, prop. 6 e 7).

A INDIVIDUALIDADE COMO NÚCLEO – UNIDADE DA SUBSTÂNCIA. Capacidade de se dividir e regenerar. Capacidade do indivíduo de ser um e de ser vários corpos em constante comunicação recíproca.

Quais são, todavia, as mudanças que o indivíduo pode suportar sem ser destruído? Os lemas 4 a 7 descrevem as variações que não afetam a identidade do indivíduo, enquanto essas modificações ficam compreendidas na proporção de movimento e de repouso, que definem a estrutura invariante de seu ser. A regeneração mostra que, se os corpos exteriores substituem as partes que se separaram do indivíduo, este mantém a sua unidade.

A relação entre os conjuntos compostos é também uma das formas através das quais pode-se analisar a relação entre os corpos informacionais no ciberespaço. A forma como a individualidade determina a complexidade destes conjuntos compostos ainda precisa ser analisada e devem ser conhecidas suas implicações.

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