População negra e Sociedade da Informação no Brasil

Publicado em 2004 – COPENE (III Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros) / Pesquisa Social e Políticas de Ações Afirmativas para os Afrodescendentes (3; 2004: São Luís – MA)

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Ana Paula Sena de Almeida

anysenna@hotmail.com

GEAb – Grupo de Estudos Afro-brasileiros Ciência da Informação PUC Minas 

Resumo: O Programa da Sociedade da Informação deve prever além da inclusão digital, políticas de inclusão social ou as chamadas políticas de Ações 

Afirmativas que incluam a comunidade negra na rede de oportunidades geradas pelo capitalismo informacional. Isto para evitarmos o mesmo erro da sociedade industrial, que excluiu brutalmente a população negra do acesso às

oportunidades de educação qualificada e aprendizado técnico. O capitalismo informacional exigirá mão de obra altamente qualificada e, para tanto, os governantes do país devem estar atentos ao que está claro nas estatísticas: a população negra continua sendo pouco privilegiada pela nova ordem mundial globalizada. Portanto, há que se investir em políticas de inclusão para minimizar os prejuízos. 

Palavras chave: sociedade da informação, exclusão racial, exclusão digital, exclusão social. 

 

Introdução 

O objetivo deste artigo é apontar os desafios e os obstáculos da inserção  da população negra no Programa da Sociedade de Informação brasileira.  Idealizado em 1996 e iniciado em agosto de 1999, pelo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, o Programa da Sociedade da Informação no Brasil tem por finalidade: 

...lançar os alicerces de um projeto estratégico, de amplitude nacional, para integrar e coordenar o desenvolvimento e a utilização de serviços avançados de computação, comunicação e informação e de suas aplicações na sociedade, de forma a alavancar a pesquisa e a educação, bem como assegurar que a economia brasileira tenha condições de competir no mercado mundial. O indivíduo realiza a sociedade da informação através de seus conteúdos. (MIRANDA,2000) 

A principal meta deste programa é inserir o Brasil na era informacional ou na chamada sociedade da informação e do conhecimento, possibilitando que sua população tenha condições de acompanhar as mudanças no mercado global e nas tecnologias de informação, cada vez mais necessárias como ferramentas de comunicação. Mais informações sobre o programa brasileiro para a Sociedade da Informação (Livro Verde) podem ser encontradas no endereço eletrônico: https://livroaberto.ibict.br/bitstream/1/434/1/Livro%20Verde.pdf

Devido aos entraves históricos que excluíram a maior parte da população negra do acesso à informática e, consequentemente, à efetiva participação na era da informação, observamos que nessa nova sociedade, movimentada pelo saber, novamente é colocada de fora a maioria pobre, formada em mais da metade por negros e pardos. O país ainda depara-se com muitos problemas na estrutura do ensino básico. Segundo estatísticas do Censo Escolar 2001/INEP, apenas 25,4% dos alunos do ensino fundamental (de 1ª a 4ª série) estão  matriculados em escolas com acesso à informática. Já no ensino médio regular (de 5a a 8a série), 45,6% dos alunos possuem acesso à informática. Nas universidades os números são ainda piores, menos de 4% de estudantes negros conseguem chegar aos cursos superiores de elite, segundo levantamento publicado na Folha de S. Paulo em 13 de outubro de 2001, geralmente, alunos negros tendem a se concentrar nas áreas de ciências sociais e humanas. 

O pouco acesso à formação e à informação torna a população negra mais propensa ao desemprego, à marginalidade e à violência. A sociedade da informação predispõe que seus cidadãos estejam aptos a lidar com conteúdos diversos, com capacidade para analisar, coletar e fazer uso da informação como ferramenta de cidadania. E aí está o viés: o que será das classes marginalizadas que pouco ou nenhum acesso têm às tecnologias da informação? 

A sociedade da informação pode se transformar em um espaço mais desigual do que nós poderíamos esperar e que corre o risco de se fechar em feudos, onde prevalecerão os interesses dos mais ricos (que ele denomina barões da mídia), ávidos em obter grandes lucros, impondo o prejuízo aos mais pobres. (MASUDA ,1996 apud ATAÍDE, 1997) 

Observa-se um ciclo desvirtuoso, onde a exclusão social leva à baixa escolaridade que, por sua vez, leva à exclusão digital e, por fim, à exclusão informacional que obstrui o acesso às oportunidades de desenvolvimento pessoal. As ações afirmativas com políticas de inclusão social para afrodescendentes são maneiras de buscar a minimização dos excessos da exclusão. Em nosso país 70% dos miseráveis são negros.  

 

Os números da exclusão digital

Um método de agir que é tão astuto

Com jeitinho alcança tudo, tudo, tudo

É só se entregar, é não resistir, é capitular

Capitu

A ressaca dos mares

A sereia do sul Captando os olhares

Nosso totem tabu…

(TATIT, 2000,CD, faixa 4) 

Quantas pessoas da população brasileira podem acessar diariamente a internet? Este acesso “livre” tem alguma relação com classe social, raça,  escolaridade ou idade? A estas questões a inclusão digital pretende responder e, sobretudo, diminuir a quantidade de excluídos digitais da economia informacional. O Brasil está em 28º lugar, no ranking digital, conforme informações de dezembro de 2003 da União Internacional de Telecomunicações. No entanto, os contrastes são muitos: milhões de pessoas no Brasil gostariam de ter telefone fixo, mas não têm nem como pagar pela assinatura básica residencial que custa em média trinta e cinco reais. 

No Mapa da Exclusão Digital, Néri (2003), aponta que a inclusão digital pode acontecer através de cinco vias: a) os domicílios com computadores conectados à internet; b) o local de trabalho; c) a escola devidamente equipada com laboratório de informática; d) a transação de negócios feitos via rede; e) órgãos do governo que proporcionem acesso aos usuários. O uso destas vias pode oportunizar o acesso ao conhecimento. 

Conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), de 2001 e amostra do Censo Demográfico de 2000, ambas levantadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 12,46% da população brasileira dispõe de computador e 8,31% de acesso à internet. Ou seja, há um universo de mais de 90% da população que não tem acesso à internet em seus domicílios. A maior parte dos incluídos que possuem computadores em seus domicílios são mulheres. (52,11% do sexo feminino, contra 48,89% do sexo masculino). 

Quanto à escolaridade das pessoas incluídas digitalmente, a média é de nove anos completos de estudo. É uma escolaridade alta se comparada com a média nacional da população, que é de cinco anos de estudo. Os excluídos digitais têm, em média, escolaridade de quatro anos de estudo, o que indica que as pessoas que possuem computador em seus domicílios possuem maior escolaridade. 

A renda da população incluída digitalmente também é bem maior que a dos não incluídos. A população incluída tem renda média de 1677 reais, contra 452 reais dos excluídos, segundo o Censo Demográfico de 2000. 

Néri (2003), demonstra ainda que há desigualdades marcantes entre os estados do Brasil. Por exemplo, entre os mais incluídos estão o Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná. Já os menos incluídos são o Maranhão, Piauí, Tocantis, Acre e Alagoas. O autor observa que, dentre estas dez Unidades da Federação, a que possui maior nível de renda (média 2255 reais) e de grau de escolaridade (média de nove anos de estudo) é o Distrito Federal; por isso, não surpreende o fato de ele estar em primeiro lugar na inclusão digital. Em Minas Gerais, 9,17% da população tem acesso a computador e à internet, conforme Censo Demográfico de 2000. Os fatores de exclusão estão ligados à qualidade da renda (excluídos têm renda média de 450 reais), do grau de instrução (excluídos têm média de quatro anos de estudos) e da ocupação dos indivíduos (excluídos têm jornada de trabalho mais extensa que os incluídos, são 43,40 horas semanais enquanto que os incluídos trabalham menos, 41,76 horas semanais). Observa-se que mais jovens estão excluídos; na faixa entre 15 e 65 anos, a maior parte dos excluídos digitais possuem entre 27 e 28 anos, provavelmente, devido à sua baixa escolaridade e às poucas oportunidades encontradas. 

 

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Quanto às escolas, Néri informa que a maioria dos alunos na educação básica estão em escolas com bibliotecas, mas sem outros recursos pedagógicos, como laboratórios de ciências e de informática, quadra de esportes e 25,39% dos alunos com acesso à Internet. Os alunos do ensino médio são mais beneficiados. 

No quesito inclusão digital na escola, o estado que tem o primeiro lugar é o Paraná. 

A correlação entre desempenho escolar e acesso a computador é positiva em todas as faixas em questão e é a maior na faixa que compreende os alunos de 13 a 18 anos que frequentam a 8ª série. Tanto na prova de Português quanto na prova de matemática essa foi a faixa que mostrou maior impacto. O fato de ter computador na prova de matemática se relaciona com um desempenho escolar 17,7% maior do que quando o aluno não possui computador para 8ª série (NERI, 2003, p.32). 

Segundo Néri, a melhor forma de combater o apartheid digital em longo prazo é investir diretamente nas escolas, de modo que os alunos possam ter acesso desde cedo às novas tecnologias. 

Observa-se que a classe A e B têm maior acesso aos benefícios da internet. Portanto, não é mito que a exclusão digital exista; ela existe de fato e as estatísticas atestam isto. A “Capitu” dissimulada é a internet que se conceitua portadora do saber total e poderosa quando realmente consegue criar laços de interação entre as pessoas e as instituições. 

 

Negros e a Sociedade da Informação: caminhos para a inserção 

Entende-se por sociedade da informação aquela que adota como força motriz econômica o conhecimento e a informação usados de maneira estratégica com o objetivo de gerar lucro ou agregar valor. 

Hoje, “saber” é capital intelectual que proporciona oportunidades e privilégios. “Saber” é fator necessário para a empregabilidade, para a cidadania, para a criatividade e para a produtividade. O Brasil ainda enfrenta desafios na implantação da SOCINFO (Sociedade da Informação), são necessárias ações em telecomunicações, tecnologia, educação e comunicação. Além disso, requer melhoramento das estruturas de escolas, laboratórios e bibliotecas. 

O que caracteriza a sociedade da informação são três fatores: 

  1. Informação usada como recurso econômico; 

  2. Uso em maior escala da informação por parte do público; 

  3. Uso da informação para satisfazer a demanda geral de meios de comunicação e serviços.

Está se repetindo na sociedade da informação e do conhecimento o mesmo erro da sociedade industrial, onde negros tiveram lugar de destaque Programa da Sociedade da Informação (SOCINFO), iniciado em 1999 pelo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia do Brasil. Apenas como operários e ficaram longe das oportunidades  economicamente privilegiadas. Nessa nova sociedade, estão se formando classes extremamente diferentes, não apenas letrados e iletrados, mas pessoas capazes de usar e acessar a informação e outros, por sua vez desventurados, sem acesso e sem condições de desenvolverem o “saber”. Mais um problema sério no Brasil, é que os alunos saem do ensino fundamental com dificuldades de compreensão de texto, enfim, a maior parte da população tem dificuldades na análise textual, não consegue compreender o que lê. Isto quer dizer que nossas bases não são sólidas, ou seja, nossas escolas possuem um ensino fraco, baseado em ensinar o básico sem ensinar o essencial que é pensar.  A implementação do sistema de cotas para negros afigura-se como uma estratégia bastante válida, no contexto atual. Mas é preciso avançar mais, por meio do fortalecimento do ensino fundamental. As escolas devem ser apreciadas nos processos de ações afirmativas, afinal, é no ensino fundamental que o aluno deve ter conhecimento sobre suas raízes, sobre sua cultura e sobre seu povo. Isto, por si, já é capaz de mobilizar o aluno à reflexão sobre sua própria realidade e perspectivas para a vida. Existem propostas para a inserção da história e da cultura africana no ensino fundamental, no entanto, poucas ações práticas tem sido implementadas. Conhecer outras referências sobre a nossa cultura seria de vital importância para fortalecer a auto estima das crianças e adolescentes. 

Histórias como a de Nzinga Mbandi, líder e mulher africana de Angola, que resistiu com bravura ao domínio dos portugueses no século XVI, mostram-nos que os antepassados da África foram mais que os mártires do Brasil. 

Infelizmente, as histórias que contam às crianças falam de líderes que sempre são capturados ou mortos, como Zumbi do Quilombo dos Palmares ou Tiradentes, o inconfidente de Ouro Preto. Deve-se fazer um resgate histórico e que vise valorizar as raízes negras, a cultura e a história verdadeira deste povo. Ao contrário de enfatizar exemplos como os dos mártires (mortos ou capturados em meio a sua luta), as escolas poderiam se concentrar em exemplos menos decepcionantes ou condicionantes. Buscar na história do Brasil e da África, identidades que fortaleçam a postura, a auto estima e agucem a capacidade crítica dos estudantes. 

Hoje, escolas públicas brasileiras sofrem o mal da inércia, o engessamento provocado pela falta de recursos e a falta de abertura para ações criativas que conjuguem arte com educação. Talvez seja este o caminho, eliminar o estilo militarista de gerenciar escolas em prol da instituição de uma linguagem que combine cultura, arte e educação. Esta proposta tem sido, experimentada por algumas escolas e tem-se obtido resultados significativos quanto à diminuição da violência entre os alunos e melhorias no aprendizado. 

Não basta implantar cursos de informática em comunidades carentes para sanar o problema da exclusão digital. Antes, é preciso ir além, ensinar aos alunos a  estabelecerem contato com a informação, usando a informação e percebendo qual a importância dela dia-a-dia. Este compromisso deve ser perseguido desde os primeiros anos da criança na escola. Afinal, hoje, nas escolas particulares, onde a maior parte é composta pela elite de brancos, ensina-se desde informática a idiomas como espanhol e inglês. Basta esta comparação para compreender o quanto crianças nas escolas públicas estão ficando atrasadas em relação ao mundo que surge diante delas. 

O mercado de trabalho no capitalismo informacional tende a ser cada vez mais agressivo e seletivo. Terão lugar os que melhor se colocarem em termos de conhecimentos técnicos, práticos e de habilidades no uso das informações. 

Portanto, se a população negra, que é a maioria excluída, continuar com o pouco acesso às boas instituições de ensino, será uma irresponsabilidade para com o futuro e a paz social. Por isso, o sistema de cotas é necessário. Por isso, também, é necessário ampliar os programas de informática nas escolas públicas. 

E, por isso, é preciso exigir de nossos governantes políticas de ações afirmativas que contemplem a inclusão social da população negra, não apenas a inclusão digital. É importante deixar de lado o preconceito velado que há tantos anos alimenta o Brasil, pois não há nada de ofensivo em se ter cotas para negros nas universidades, pelo contrário, trata-se de uma dívida social que o país tem para com esta parcela da população que ajudou a construí-lo. Alguns defendem o sistema de cotas para os mais pobres em detrimento da polêmica de se definir quem é realmente negro no Brasil. Outros defendem as cotas para alunos vindos das escolas públicas. Porem, as estatísticas são claras, no Brasil, o fator cor da pela é determinante para a exclusão do indivíduo. Enfim, o preconceito em relação ao indivíduo negro é maior que o preconceito em relação à classificação de indivíduo pobre. 

Quando se trata de Sociedade da Informação, a polêmica da exclusão fica ainda maior. Temos um desafio grande: uma população vinda das escolas públicas que não sabe interpretar textos, não consegue extrair informação dos conteúdos que acessa e tem dificuldades com cálculos e gráficos. 

Apesar de se saber necessário, são tímidas ainda as propostas de debates sobre a inserção da população negra nos projetos para a implementação da Sociedade da Informação Brasileira. Infelizmente, é possível que exista uma sociedade da informação apenas para alguns. E a isto não poderemos chamar de sociedade. Teremos sim, um espaço cortado por muros de conhecimento e de ignorância.

 

Referência Bibliográfica 

ATAÍDE, Maria Elza Miranda. O lado perverso da globalização na sociedade da  informação. Revista Ciência da Informação, Brasília, v.26, n.3, p.268-270, set./dez.1997. 

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CASTELLS, Manuel. Fim do Milênio. São Paulo: Paz e Terra, 1999. – A era da  informação:economia, sociedade e cultura. v.3. p.411-439. 

CASTELLS, Manuel. O poder da identidade. São Paulo: Paz e Terra, 1999. – A era da informação:economia, sociedade e cultura. v.2. p.409-427. 

MIRANDA, Antônio. Sociedade da informação: globalização, identidade cultural e conteúdos. Revista Ciência da Informação, Brasília, v.29, n.2, p.78-88, mai./ago.2000. 

MIRANDA, Antônio.[et. al]. Os conteúdos e a Sociedade da Informação no Brasil. Revista Datagrama Zero. v.1, n.5, out./2000. 

MENEGHINI, Carla. “Discriminação sutil” tira aluno negro da universidade. Folha de S. Paulo. Folha Trainne. 13 de outubro de 2001. 

NERI, Marcelo Côrtes (Coord.). Mapa da exclusão digital. Rio de Janeiro:FGV/IBRE, CPS, 003. 143p. 12 

PACAVIRA, Manuel Pedro. Nzinga Mbandi. 3 ed. Cuba:União dos Escritores –Angolanos/Edições Cubanas. 1985.217p. 

SILVEIRA, Henrique Flávio Rodrigues da. Um estudo do poder na Sociedade da

Informação. Revista Ciência da Informação. Brasília, v.29, n.3, p.79-90, set./dez.2000. 

TAKAHASHI, Tadão (org.). Sociedade da Informação no Brasil; livro VerdeBrasília: Ministério da Ciência e Tecnologia, 2000. 

TATIT, Luiz. Capitu. Intérprete: Ná Ozzetti. In: Luiz Tatit. O meio. São Paulo: Dabliú Discos, 2000. 1 CD. Faixa 4.

Publicado por Ana Paula Sena de Almeida

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