O PERCURSO NA CURADORIA DE CONTEÚDOS: UM PASSEIO ATRAVÉS DOS DADOS DE 2006 ATÉ 2016

Curadoria de informação.
Binóculo Cultural espalhando notícias por aí!

 

 

Ana Paula Sena de Almeida (Profissional de Informação e Curadoria de Conteúdo – APSA Projetos! www.apsacultura.com.branapaulasena@apsaprojetos.com.)

*Leia este artigo na íntegra.

Resumo: Este artigo trata da experiência pessoal e profissional em pesquisa de curadoria de conteúdo, realizada fora das limitações do meio acadêmico e também sem as interferências dela. É um relato científico de uma atividade realizada diariamente em benéfico do trabalho de produtores culturais e gestores de cultura com o intuito de levar informação selecionada e analisada do ponto de vista da curadora.

Palavras-chave: curadoria de conteúdo, gestão cultural, informação estratégica, conhecimento tácito, insights.

Aqui vai um texto sobre a curadoria de conteúdos escrito para não acadêmicos, mas que também pode servir para os impulsos acadêmicos obsessivos por publicar para pontuar rápido e continuar na academia dando aulas e parecendo mais importante do que os que estão de fora.

Comecei a fazer curadoria de conteúdo em 2006, na época, não dispúnhamos de muitos recursos e plataformas para fazer este tipo de atividade. Comecei fazendo isto no meu bom e velho E-mail do Yahoo.com, na ocasião, eu copiava links de fontes, títulos e resumos sobre as notícias e então salvava tudo em pastas por assunto. Em dois anos tinha bastante conteúdo armazenado para fazer algumas observações contundentes sobre o setor cultural no Brasil. Já era possível apontar algumas fontes, grau de relevância de conteúdos, bem como escapar das armadilhas de conteúdos “manipuladores”, “marqueteiros”, “ideológicos” e “politicamente polarizados”.

Em 2006, chamavam esta atividade de monitoria de informação devido aos meus estudos para o trabalho de conclusão de curso, na especialização em Gestão Estratégica da Informação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O estudo foi concluído em 2008  e um artigo foi apresentado no ENECULT deste mesmo ano. O TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) ficou com o título de “Gestão Estratégica da Informação para Projetos Culturais”. Após a especialização, continuei colecionando conteúdos de notícias/artigos/publicações sobre o assunto. Não percebi naquela época, mas este ato de colecionar e atribuir significados havia se tornado um vício delicioso. Tornava meu olhar mais atento às diversas questões não apenas àquelas que envolviam o setor cultural brasileiro, mas a outros tópicos e assuntos que foram aparecendo ao longo das “escavações” na rede eletrônica.

Após quatro anos, já em 2010! Nessa fase, foram usadas ferramentas mais interativas e uma delas era o blog. Através do blog era possível replicar o conteúdo de forma mais precisa e fazer a alegria de empreendedores culturais que procuravam conteúdo garimpado na internet e, de preferência, conteúdo pré-selecionado, apurado, gratuito e que apresentasse pistas para novos negócios ou projetos.

As ações de curadoria tornaram-se mais constantes em 2011, período em que a empresa APSA Projetos já estava formalizada no mercado e em que novos projetos foram surgindo junto com as atividades de curadoria de conteúdo.

Inicialmente foram usados arquivos em PDF com o link para as notícias que poderiam estar hospedas no site da APSA Projetos ou no próprio blog do Binóculo Cultural. Aparentemente foi uma ferramenta paliativa, no entanto, serviu para apurar o que de fato seria necessário para o trabalho de curadoria bem como desenvolver melhor a competência de “escavação” e “garimpo de conteúdos”.

Pesquisando um pouco mais, alguns artigos foram estudados e novas ferramentas foram encontradas. Duas delas, muito importantes e agradáveis ao trabalho do curador de conteúdo, PAPER.LI e SCOOP.IT.  Em 2014, os boletins foram confeccionados a partir do Paper.li e depois somente a partir do Scoop.it. Adiante serão apresentados os motivos da escolha.

O Paper.li foi uma experiência de curadoria agradável, no entanto, apresentou poucas alternativas quanto à segurança dos conteúdos selecionados e a flexibilidade de navegar através das coleções também foi tornando o serviço mais difícil na recuperação de algumas informações já disseminadas.

O trabalho de curadoria através do Scoop.it mostrou-se uma ferramenta bastante eficaz com a possibilidade trabalhar com coleções públicas ou privadas. Tendo em vista negócios de curadoria feitos por profissionais que gostam do assunto e de assuntos. As coleções podem ser modeladas em forma de boletins e podem ser enviadas por meio de aplicativos de marketing digital. A facilidade de modelagem dos formatos e a possibilidade de personalização das coleções, bem como a colaboração com pares, é uma das vantagens do Scoop.it.

Estes trabalhos foram realizados gratuitamente durante todo o período de 2006 até 2012. Em 2013, observando o cenário e o mercado foi possível elaborar um outro processo de trabalho que possibilitasse a entrada de recursos mas sem fechar totalmente o acesso às informações. Exatamente por isso, o retorno foi pífio. Mesmo assim, a proposta de trabalhar com acesso livre contando com a sensibilidade dos usuários do serviço é uma prática de colaboração e creio que faz parte das novas práticas para a economia cognitiva, conforme citação de Lévy (1996):

Com as instituições e as “regras do jogo”, passamos das dimensões coletivas da inteligência individual à inteligência do coletivo enquanto tal. É possível, com efeito, considerar os grupos humanos como “meios” ecológicos ou econômicos nos quais espécies de representações ou ideias aparecem e morrem, se propagam ou regridem, competem entre si ou vivem em simbiose, conservam-se ou transformam-se. (Economias Cognitivas).

A publicidade nunca deu retorno financeiro. Mas aprendi o suficiente para afirmar categoricamente que a curadoria de conteúdos movida por ideias, por pessoas que cortam, colam e comentam, trata-se de um trabalho árduo. Evidentemente realizado com prazer porque um curador geralmente coleciona conteúdos dos quais gosta ou que o interessam por algum motivo.

Os blogs ampliaram o poder de alcance da curadoria de conteúdos e depois de percorrer vários países apenas observando os meus relatórios do Google Analytics (Estatísticas de navegação e acesso aos serviços de curadoria), percebi mesmo, que não é privilégio ser internacional, seja qual for o seu assunto de interesse na curadoria de conteúdos ir constituindo um legado de conhecimentos e capacidade de interpretação de cenários é a maior conquista de um curador (insights).

Portanto, o mais interessante é o que acontece com os seus potenciais cognitivos e com suas potencialidades na organização de fatos e insights. É um jogo de associações gigantesco e que se desenvolve de forma matemática, semântica e orgânica. E este jogo vai se desenrolando de acordo com seu apetite de curador de conteúdos.

O curador de conteúdos não precisa ser um robô, um algoritmo, isso alguns pesquisadores já afirmaram e comprovaram que a curadoria de conteúdo movida pelo “toque humano” é um elemento que equilibra e melhora os resultados dos motores de busca, além de interferir nas questões onde os significados podem ficar um pouco confusos para a máquina.

Resta entender o “negócio” curadoria de conteúdo, até onde ele poderá nos levar? Resta saber se esta proporção que beneficia a rede, o curador, a publicidade eletrônica, a audiência das fontes e os meios de comunicação, se poderá transformar-se em riqueza compartilhada (Sharing Economy), gerar empregos informais e rentáveis, fontes de renda mais adaptadas aos sistemas dinâmicos da Economia da Informação e dar forma à possível Sociedade do Conhecimento.

Resta saber se esta forma de nos relacionarmos com os conteúdos poderá ser no futuro próximo, uma fonte de riquezas que promova sustentabilidade de negócios tão individuais (ou não!) tal como são os blogs/plataformas de conteúdo/redes sociais.

A dinâmica do “eu empurro” um conteúdo para frente através da rede social; e, imediatamente, a rede dissemina para os meus contatos, os meus seguidores e até meus concorrentes (que geralmente são os primeiros a copiar, colar e mudar o selo para garantir sua própria audiência); tudo isto é uma grande e multidimensional cadeia de disseminadores/multiplicadores de conteúdo – autônomos – “escavando” e “empurrando” conteúdos e fazendo isto de maneira orgânica na maior parte das vezes.

Então temos uma atividade econômica com incrível potencial de riquezas (tangíveis e intangíveis). E os marqueteiros já se aproveitam disso bastante!

Portanto, nesta lógica sem paredes da rede sem barreiras; não há ingenuidade! De fato, quanto mais livres os acessos, mais riquezas são geradas devido ao compartilhamento do que está livremente disponível.

Eis o dilema! Alguns poucos não desejam compartilhar nada, apenas pressionam para a rede gerar, capturar ou abduzir recursos para si próprios. Estão repetindo uma fórmula antiga da ganância do velho capitalismo que, aliás, está com seus dias contados!

Leia mais sobre as minhas experiências diárias em curadoria de conteúdo e gestão cultural no blog – https://apsaprojetos.wordpress.com/

Agradecimentos aos que colaboram sem tirar pedaços dos que doam! 😉
REFERÊNCIAS

HARCOURT, Wendey. The future of capitalism: a consideration of alternatives. Cambridge Journal of Economics, 2014, 38, 1307-1328. Oxford Journals.

CORRÊA, Elizabeth Nicolau Saad [Org.]. Curadoria digital e o campo da comunicação. Ebook. – São Paulo:ECA/USP. 2012. 79p.

BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria; tradução Carlos Alberto Medeiros. – Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

GABRIEL, Martha. Marketing na Era Digital. São Paulo:Novatec Editora, 2010.

MORACE, Francesco. O que é o futuro; tradução Simone Bueno Silva. – São Paulo:Estação das Letras e Cores, 2013.

PAIM, Ísis (Org.). A gestão da informação e do conhecimento. Belo Horizonte: Escola de Ciência da Infomação/UFMG. 2003.

LÉVY. Pierre. O que é virtual?; tradução de Paulo Neves. – São Paulo: Ed. 34, 1996. (Coleção TRANS).

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Qual o percurso das competências do conhecimento? (Le parcours)

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Após assistir ao vídeo 1 – Professor Pierre Lévy ( Les arbres de connaissances – 2, mar 1995) – #lesemantiquesphere)

Conforme alguns comentários do Professor Pierre Lévy em sua palestra sobre “Árvores do Conhecimento” – Indago sobre as competências do conhecimento.

As competências do conhecimento seriam desenvolvidas somente através de uma percurso profissional? Afirmar que estas competências se desenvolvem apenas em ambientes acadêmicos e profissionais seria limitante pois o conhecimento não é via de regra inserido apenas em contextos comerciais, institucionais ou acadêmicos.

O conhecimento está em organizações religiosas, em partes conhecidas e desconhecidas da história da humanidade.

Portanto, talvez não seja nenhuma ousadia afirmar que o conhecimento está onde ele for colocado (universos variados). As competências do conhecimento poderiam absorvê-lo e coloca-lo em lugares enigmáticos na busca de preservá-lo de consciências não honrosas ou éticas. As instituições públicas governamentais julgam-se as detentoras do conhecimento mas não estamos muito certos disso! Já sofri alguns atentados cibernéticos por pensar diferente. (risos!).

Por isso, muitas vezes o conhecimento vem escondido num simples enigma. Enigmas guardam tantos desdobramentos e tantas dobras nas quais se escondem outros enigmas que só podem ser decifrados pelos iniciados. A mística da consciência – no meu entender, primeiros galhos da árvore do conhecimento é um assunto que ainda quero continuar abordando nos próximos artigos.

Então, não há percurso apenas profissional, apenas religioso, apenas místico ou mítico. Uma competência do conhecimento só é quando os desdobramentos de suas questões “iniciáticas” são compreendidos na sua essência por meio de posturas como a confiança, a ética e a harmonia de seus sentidos e sentimentos que serão determinantes para seus pensamentos, linguagem e comunicação com seus interlocutores e até observadores.

A cultura é um espaço onde fabulosas histórias contêm um pouco de popular e de conhecimento popular. Os que colocam pinceladas de conhecimento em lendas sabem que apenas alguns “espíritos” mais espertos verão os ditos nas entrelinhas.

Porque sendo uma competência do conhecimento, diversas vezes será testada em sua capacidade de comunicar sem o dizer o explícito. Dizer o explícito, muitas vezes, é sinal oposto de inteligência. Às vezes, comunicará nuances de um conhecimento, outras vezes deixará pistas e tantas outras vezes receberá e transmitirá informações de modo não-verbal e não-gestual. (Sim, pensemos em telepatia para daqui uns 15 anos!)

As competências do conhecimento não estão em categorias pré-estabelecidas. Elas são. São dinâmicas e comunicam-se de forma transversal e por isso, possuem mobilidade suficiente para circular em universos variados.

A experiência individual é como a marca de cada competência do conhecimento, criando suas próprias cartografias. Eis a importância da contribuição de cada um na construção e na formação das complexidades da inteligência coletiva.

Enfim, poderia dizer com minha parca experiência que, os mapas podem ser os mesmos, mas os caminhos, os percursos sempre serão diferentes. E, se a diversidade é tão importante, competências do conhecimento vindas de várias categorias trazem mais valor que o inverso.

Não atropele ninguém por aí! Siga seu curso! (Eu adoro metáforas! E sou uma atrevida de comentar este vídeo!)

Obrigada por compartilhar o vídeo, Professor Pierre Lévy!

 

 

Em tempos de inteligência coletiva…

o conhecimento voa…

Ano 2050

Compartilhe, identifique-se, seja, pense, energia que vai, energia que vem!

Psiquismo integral (Piere Lévy, O que é virtual? / p.104)

Éter! No Ethernum! (risos)

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