O percurso na curadoria de conteúdos

Ana Paula Sena proprietária da APSA Projetos!
Analista e Especialista em Gestão de informação. Gestão Cultural.

O percurso na curadoria de conteúdos: o prazer multiplica riquezas

Aqui vai um texto sobre a curadoria de conteúdos escrito para não acadêmicos, mas que também pode servir para os impulsos acadêmicos obsessivos por publicar para pontuar rápido e continuar na academia dando aulas e parecendo mais importante do que os que estão de fora.

Comecei a fazer curadoria de conteúdo em 2006, na época, não dispúnhamos de muitos recursos e plataformas para fazer este tipo de atividade. Comecei fazendo isto no meu bom e velho Email do Yahoo.com, na ocasião, eu copiava links de fontes, títulos e resumos sobre as notícias e então salvava tudo em pastas por assunto. Em dois anos tinha bastante conteúdo armazenado para fazer algumas observações contundentes sobre o setor cultural no Brasil. Já era possível apontar algumas fontes, grau de relevância de conteúdos, bem como escapar das armadilhas de conteúdos “manipuladores”, “marqueteiros”, “ideológicos” e “politicamente polarizados”.

Em 2006, eu chamava esta atividade de monitoria de informação devido às influências acadêmicas e aos meus estudos para o trabalho de conclusão de curso, na especialização em Gestão Estratégica da Informação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O estudo foi concluído em 2008 e o TCC ficou com o título de “Gestão Estratégica da Informação para Projetos Culturais”.
Porém, após a especialização ainda continuei colecionando conteúdos de notícias/artigos/publicações sobre o assunto. Não percebi naquela época, mas este ato de colecionar e atribuir significados havia se tornado um vício delicioso. Tornava meu olhar mais atento às diversas questões não apenas àquelas que envolviam o setor cultural brasileiro, mas a outros tópicos e assuntos que foram aparecendo ao longo das “escavações” na rede eletrônica.

Tudo bem, até aqui se passaram quatro anos. Estamos em 2010! Nesta fase eu já usava ferramentas mais interativas e uma delas era o blog. Através do blog era possível replicar o conteúdo de forma mais precisa e fazer a alegria de empreendedores culturais que procuravam conteúdo garimpado na internet e, de preferência, conteúdo pré-selecionado, apurado, gratuito e que apresentasse pistas para novos negócios ou projetos. Pois bem, eu fiz isso gratuitamente por longos meses e anos (estou escrevendo este texto em 2015!).

A publicidade nunca deu retorno financeiro. Estou esperando até hoje para receber os primeiros 100 dólares do Google Adsense! Mas aprendi o suficiente para afirmar categoricamente que a curadoria de conteúdos movida por ideias, por pessoas que cortam, colam e comentam, trata-se de um trabalho árduo. Evidentemente realizado com prazer porque um curador geralmente coleciona conteúdos dos quais gosta ou que o interessam por algum motivo.

Os blogs ampliaram o poder de alcance da curadoria de conteúdos e depois de percorrer vários países apenas observando os meus relatórios do Google Analytics, percebi mesmo, que não é privilégio ser internacional, seja qual for o seu assunto de interesse na curadoria de conteúdos o grande pulo do gato é fazer por amor e ir constituindo um legado de conhecimentos e capacidade de interpretação de cenários.

Portanto, o mais interessante é o que acontece com os seus potenciais cognitivos e com suas potencialidades na organização de fatos e insights. É um jogo de associações gigantesco e que se desenvolve de forma matemática, semântica e orgânica. E este jogo vai se desenrolando de acordo com seu apetite de curador de conteúdos.

Palavras-chave bem entrelaçadas fazem do curador de conteúdos quase um “meta-tag” vivo, pulsante e que interfere com melhor relevância nos resultados de busca. Então, até poderíamos afirmar ou imaginar que esta eventual profissão é uma forma fantástica de desenvolver, aperfeiçoar e equilibrar o ecossistema de conteúdos na rede mundial de computadores.

O curador de conteúdos não precisa ser um robô, um algoritmo, isso alguns pesquisadores já afirmaram e comprovaram que a curadoria de conteúdo movida ao “toque humano” é um elemento que equilibra e melhora os resultados dos motores de busca.

Resta entender o “negócio” curadoria de conteúdo, até onde ele poderá nos levar? Resta saber se esta proporção que beneficia a rede, o curador, a publicidade eletrônica, a audiência das fontes e os meios de comunicação, se poderá transformar-se em riqueza compartilhada (Sharing Economy), gerar empregos informais e rentáveis, fontes de renda mais adaptadas aos sistemas dinâmicos da Economia da Informação.
Resta saber se esta forma de nos relacionarmos com os conteúdos poderá ser no futuro próximo, uma fonte de riquezas que promova sustentabilidade de negócios tão individuais (ou não!) tal como são os blogs/plataformas de conteúdo/redes sociais.

A dinâmica do eu empurro um conteúdo para frente na rede. E, imediatamente, a rede dissemina para os meus contatos, os meus seguidores e até meus concorrentes (que geralmente são os primeiros a copiar, colar e mudar o selo para garantir sua própria audiência); tudo isto é uma grande e multidimensional cadeia de disseminadores/multiplicadores de conteúdo – autônomos – empurrando conteúdos e fazendo isto de maneira orgânica na maior parte das vezes.

Então temos uma atividade econômica com incrível potencial de riquezas (tangíveis e intangíveis). E os marqueteiros já se aproveitam disso bastante!

Portanto, nesta lógica sem paredes da rede sem barreiras; não há ingenuidade! De fato, quanto mais livres os acessos, mais riquezas são geradas devido ao compartilhamento do que está livremente disponível.

Eis o dilema! Alguns poucos não desejam compartilhar nada, apenas pressionam para a rede gerar, capturar ou abduzir recursos para si próprios. Estão repetindo uma fórmula antiga da ganância do velho capitalismo que, aliás, está com seus dias contados!

Aproveito a deixa para reafirmar que a vida acadêmica de estruturas sólidas e inflexíveis, feudal e punitiva também está com seus dias contados. Suas paredes vêm ruindo milimetricamente. Agora mesmo, existem mais pessoas pesquisando fora das universidades do que dentro delas! É admirável! É a inteligência viva, sem credenciais!

Ana Paula Sena de Almeida.

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Cultura digital e direitos autorais: o estado como mediador do conflito

Leia em Políticas Culturais em Revista – http://www.portalseer.ufba.br/index.php/pculturais/article/view/6550

Cultura digital e direitos autorais: o estado como mediador do conflito




Helena Klang


Resumo


O uso cada vez mais comum das tecnologias digitais e da internet impacta profundamente o modo como vivemos, pensamos e nos comunicamos. A cultura do copiar e colar (LESSIG, 2005) cria uma nova linguagem, o Remix, que já é uma realidade entre a juventude contemporânea, naturalmente ambientada ao universo digital. Porém, a legislação autoral não acompanhou as transformações sociais e culturais provocadas pela digitalização da cultura. Para adaptar o ordenamento jurídico, o Ministério da Cultura convocou a sociedade para participar da modernização da Lei de Direito Autoral. Neste sentido, este trabalho apresenta a linguagem do Remix, que se difunde com a Cultura Digital, e avalia sua incorporação à reforma da lei de direito autoral.


Texto Completo: PDF


Fonte: Portal UFBA

Cultura Digital: Cartografias Colaborativas

Seminário acontece de 10 a 12 de dezembro, em Brasília
A partir de segunda-feira (10), acontece o Seminário Cultura Digital: Cartografias Colaborativas, no Museu da República, em Brasília. Promovido pelo Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria de Políticas Culturais, o será realizado até o dia 12 e reunirá representantes dos oito projetos selecionados em edital, que foi a primeira etapa do projeto Cultura Digital: Cartografias Colaborativas.
O projeto busca o fomento ao debate de estratégias, o incentivo ao diálogo e ao compartilhamento de experiências e a identificação de projetos que promovam a utilização dos dados coletados diretamente com a sociedade (Data crowdsourcing). A análise das possibilidades de integração com oSistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC) completa a lista de objetivos do programa.
No mês de outubro o MinC abriu  edital que selecionou oito projetos para participarem do Seminário, ocasião em que serão apresentados os trabalhos e compartilhadas as experiências em debates com a sociedade e o governo. Os projetos que estarão representados em Brasília são: Arte Fora do Museu, Rede Social Arquigrafia, Rota dos Baobás, Mapa da Inclusão Digital de Santarém, PortoAlegre.CC, O Mapa da Cachaça, Webdoc Graffiti e Alquimídia.
Cada projeto recebeu apoio do MinC em passagens aéreas e em recursos financeiros para ajuda de custo destinada à hospedagem e à  alimentação de até dois representantes de cada projeto selecionado.
Veja a programação completa e saiba mais sobre os projetos selecionados.
(Texto: Lara Aliano, Ascom/MinC)