A publicidade, a sustentabilidade e o espaço dos atores digitais

 

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Ana Paula Sena de Almeida

Acredite, minha filha de quatro anos é mestre neste assunto.

Desde 2010 venho observando o mercado digital de publicidade e cheguei até a pensar em enfrentar, de novo, a chatice da universidade para discutir o assunto em forma de uma dissertação de mestrado.

A universidade iria levar alguns meses me fazendo perguntas redundantes até que eu tivesse em mãos um pré-projeto para a comissão de avaliação dizer sim ou não à discussão que gostaria de propor.

Não desisti de imediato mas não pretendo perder tempo fazendo propostas de projetos de mestrado que acabam servindo de inspiração e não entram o hall dos aprovados pelos “doutores do saber” na academia.

Enfim, a discussão é muito simples, suas ondas transformadoras é que não são muito digeríveis pelo atual mercado ganancioso e apressado.

As questões que quero observar são as seguintes:

  1. o novo capitalismo (new capitalism) conseguirá construir uma sociedade auto-sustentável baseada em compartilhamento (Sharing Economy)?
  2. Esta nova forma de produzir riquezas acabará por modificar a moeda física para moedas digitais que proporcionem recompensas para aqueles que compartilham?
  3. A publicidade online poderá ser um meio de gerar e compartilhar riquezas para os atores digitais?

Pois bem, vou começar pelo último item no qual minha filha de quatro anos de idade tem sido minha mestra, ensinando-me como é rico o novo universo da publicidade online.

Começo relatando sobre a convivência com o cenário que a Cora (mestra e amante de publicidade online) está acostumada a interagir. O pedido mais ardoroso dela é “mamãe, quero ver propagandas no seu computador!”. Significa: Ligar o computador nos canais do YouTube onde outras crianças e adultos postaram vídeos brincando com bonecos já conhecidos do universo de desenhos infantis. A maioria Disney, é claro!

Então, ao compartilharem os brinquedos através de vídeo-brincadeiras na rede social estas crianças e adultos disponibilizam seus próprios roteiros de histórias, compartilham suas preferências de consumo e ainda potencializam reflexões sobre porquê e como consumir certos objetos de desejo.

É incrível porque também absorve o impacto de consumo por compulsão, ou seja, antes de comprar aquele bonequinho da Peppa, ela está vivenciando a simulação da experiência do consumo deste objeto que seria objeto de desejo e acessível, por meio de simulações de brincadeiras online.

O que é ainda mais fabuloso, quando chegar a consumir tais produtos, ela irá querer produzir seus próprios vídeos, renovando a cadeia de acesso e simulação de consumo.

Então pergunto: É ou não é uma nova rede de consumo baseada no compartilhamento?

Mais interessante é que compartilhar gera mais riquezas do que guardar brinquedos e brincadeiras para si!

Penso que dentro de poucos anos a Cora estará produzindo vídeos, roteiros e brincadeiras para compartilhar com os amiguinhos dela. Penso que ela vai querer recompensas por isto, curtidas, audiência e recursos de publicidade. Pode ir além, como alguns que já são profissionais no assunto, pode ter patrocinadores, fornecedor de produtos que irão compor os conteúdos do canal do seu perfil.

Portanto, percebe-se que não estamos tratado apenas de consumo mas de um comportamento diferente de um diante disso. Talvez uma flexão (como as flexões de verbos!) não tão egoístas e consumistas como as que fazíamos há anos atrás. Eu diria uma flexão em grupo: Eu CONSUMO, COMPARTILHO o que eu consumi, Você CONSOME VIRTUALMENTE e, se quiser, FISICAMENTE; Você COMPARTILHA e GERA audiência. Eu GANHO, Você GANHA, Você PRODUZ, nós CONSUMIMOS, GANHAMOS e COMPARTILHAMOS.

Entendo isto como o início do “new capitalism” apesar de todo ceticismo dos nossos saudosos amigos socialistas.

Entendo como a potencialização do consumo que se recicla para gerar outras fontes de renda e de consumo. Num ciclo que só termina onde terminar a criatividade dos atores digitais.

Talvez num futuro próximo possamos não mais precisar de moedas físicas de trocas. Talvez apenas precisemos de trocas digitais que se consolidem em benefícios para os que estiverem conectados à rede social e em outras dimensões desta rede (nunca sabemos até onde ela vai!).

“By paying attention to the politics of place, we can locate alternatives to dominant neoliberal capitalism already present. In this sense, a seach for future capitalism is closely interrelated to present as well as potential future experiences ‘in place’. For example, Buen Vivir a concept that has now travelled widely around the world as an alternative ‘horizon’ in place which is inspiring new forms of economics in communities around the world.” (HARCOURT, Wendey. The future of capitalism: a consideration of alternatives. Cambridge Journal of Economics, 2014, 38, 1307-1328. Oxford Journals. p.1309)

Então, pensar e produzir em rede é um trabalho e também uma forma de gerar riquezas, ainda que elas estejam indefinidas na forma de distribuição de recompensas! Penso que a piada mais fresca do momento é que o “pensar” diz muito mais sobre os caminhos que o mercado irá percorrer do que os altos e baixos da bolsa de valores.

Vamos às críticas! Não são poucas. Ok, se pensar vai interferir  tanto no consumo, não seria prejudicial para nós tanto controle?

“Na sociedade de consumidores, ninguém pode se tornar sujeito sem primeiro virar mercadoria.” (BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo. p. 20)

Ao mesmo tempo que somos descobertos, decifrados e vigiados, apresentamos à rede social nossas formas de consumir e ainda tiramos proveito disso buscando gerar riquezas (recompensas) para nós mesmos, ainda que seja uma expectativa não uma regra até o momento.

“Escrevendo de dentro da incipiente sociedade de produtores, Karl Marx censurou os economistas da época pela falácia do ‘fetichismo da mercadoria’: o  hábito de, por ação ou omissão, ignorar ou esconder a interação humana por trás do movimento de mercadorias. Como se estas, por conta própria, travassem relações entre si a despeito da mediação humana.” (BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo. p.22)

Outro desafio apontado pelo autor é a inquietante pergunta que pode ser, também, uma suposição aterrorizante para alguns: se tudo se tornar consumo, o que será trabalho?

Outros desafios seriam encontrados na reflexão sobre as divisões sociais colocadas em categorias de trabalhadores da Economia Cognitiva e trabalhadores da Economia Arcaica? Teríamos mais divisões?

“A subjetividade numa sociedade de consumidores, assim como a ‘mercadoria’ numa sociedade de produtores, é  (para usar o oportuno conceito de Bruno Latur) um fetiche – Um produto profundamente humano elevado à categoria de autoridade sobre-humana mediante o esquecimento ou a condenação à irrelevância de suas origens demasiado humanas, juntamente com o conjunto de ações humanas ao seu aparecimento é que foram a condição sine qua non para que isso ocorresse.” (BAUMA, Zygmunt. – Vida para consumo. p. 23)

Por outro lado, como não expressar nossas subjetividades estando conectados, constantemente na mira dos interessados em Marketing e em Vendas?

“Não nos relacionamos da mesma forma que há 100 anos ou na pré-história pode ser que as redes sociais on-line afetem e modifiquem o cérebro humano como outras tecnologias fizeram no passado, principalmente o fogo. A questão é que a mudança do comportamento humano em geral ao longo do tempo se reflete em todas as dimensões da vida.” (GABRIEL, Martha. Marketing na Era Digital. p. 299)

Reflete-se no consumo e nas relações que expressamos através dele, promovendo o consumo por meio de nossas subjetividades. Torna-se um direito individual expressar meu modo de consumir e, por outro lado, torna-se uma responsabilidade compreender as formas mais adequadas de compartilhar e receber recompensas por este trabalho subjetivo e informal.

“A falange se dedicará ao trabalho útil, das ciências, das artes e da culinária. Tornará a indústria atraente e terminará com a distinção negativa entre produtores e consumidores.” (CHARLES FOURIER. 1808 in MORACE, Francesco. O que é o futuro? p. 53)

Dentro de pouco tempo, compreenderemos com mais serenidade que cada pessoa (agente digital) será um canal emanando conhecimento tácito [1].

O papel de cada agente digital não poderá ser arbitrariamente obstruído, do contrário, estaríamos ferindo a ecologia da rede. A coexistência de variedades ou de diversidades é que poderá nos proporcionar conhecimento renovado, com agilidade com que os fatos se desdobram. A busca da harmoniosa e perene paz entre os atores da rede. (“A paz perpétua”, Kant.)

“ECONOMIA COGNITIVA; É possível, com efeito, considerar os grupos humanos como ‘meios’ ecológicos ou econômicos nos quais espécies de representações ou de ideias aparecem e morrem, se propagam ou regridem, competem entre si ou vivem em simbiose, conservam-se ou transformam-se.” (LEVY, Pierre. O que é Virtual. p. 99)

Este espaço de múltiplas trajetórias que se apresentam simultaneamente é o espaço da coletividade e, por incrível que pareça, é o espaço das individualidades porque propõe ao indivíduo “ser” o que se quer, quando e como sua criatividade permitir. É o espaço da publicidade em todos os sentidos porque quer conquistar olhares, aproximar corações, ocupar as mentes e inflar audiências. Todos os seres e consciências são chamados a compartilhar trazendo suas próprias contribuições; é saudável que estas contribuições sejam autênticas e pessoais para então contribuírem com o novelo da coletividade.

Referências:

HARCOURT, Wendey. The future of capitalism: a consideration of alternatives. Cambridge Journal of Economics, 2014, 38, 1307-1328. Oxford Journals.

BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria; tradução Carlos Alberto Medeiros. – Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

GABRIEL, Martha. Marketing na Era Digital. São Paulo:Novatec Editora, 2010.

MORACE, Francesco. O que é o futuro; tradução Simone Bueno Silva. – São Paulo:Estação das Letras e Cores, 2013.

PAIM, Ísis (Org.). A gestão da informação e do conhecimento. Belo Horizonte: Escola de Ciência da Infomação/UFMG. 2003.

LÉVY. Pierre. O que é virtual?; tradução de Paulo Neves. – São Paulo: Ed. 34, 1996. (Coleção TRANS).

____________

[1]  “conversão do conhecimento” – 1) conhecimento tácito em conhecimento tácito que chamamos de socialização; 2) de conhecimento tácito em conhecimento explícito que chamamos de externalização; 3) de conhecimento explícito em conhecimento explícito, ou combinação; e 4) de conhecimento explícito para conhecimento tácito, ou ‘internalização” (Nonaka, Takeuchi, 1997, p.68)

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Parque Tecnológico do Rio poderá receber até R$ 3 bilhões em investimentos em cinco anos

Nielmar de Oliveira
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro – Lançado em meados de março deste ano, o Plano Inova Empresa evidencia a necessidade de criação de parques tecnológicos no país, disse o diretor executivo do Parque Tecnológico do Rio-UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Maurício Guedes. O plano prevê investimentos de R$ 32,9 bilhões nos próximos dois anos para incentivar o desenvolvimento de pesquisas nos setores industrial, agrícola e de serviços.
Ao estruturar um programa para aumentar a capacidade de inovação da economia brasileira, o governo propiciará, indiretamente, a expansão do Parque Tecnológico do Rio, que poderá chegar a atrair investimentos adicionais de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões nos próximos cinco anos, disse Guedes à Agência Brasil. Segundo ele, o tema “parques tecnológicos” está entrando com força total na agenda nacional.
“É importante que o país tenha um programa estruturado para aumentar a capacidade de inovação de sua economia , e o aumento da capacidade de inovação se dá com investimentos, integração com as universidades e formação de mestres e doutores. E o Brasil vem tendo uma evolução importante nestes últimos anos”, destacou.
Para este ano, o investimento federal em inovação está em torno de R$ 100 milhões em parques tecnológicos. Para ele, ainda é pouco, até porque existem hoje propostas para criação de mais de 100 parques tecnológicos em todo o país, embora seja um  avanço. “A Universidade Federal do Rio de Janeiro faz sua parte, procurando expandir as áreas de atividade. Estamos caminhando para a expansão de nossas fronteiras, negociando a entrada de novas empresas, agregando novas áreas territoriais para esse crescimento.”
De acordo com Guedes, o governo do estado está adquirindo uma área de propriedade do Exército, com 240 mil metros quadrados de extensão, na Ilha do Fundão, para atrair novas empresas para o Parque do Rio. Já existem companhias instalando-se na área e construindo centros globais de pesquisa, como a General Electric (GE). A empresa, que tem pesquisas para indústrias de petróleo e construção de turbinas de aviões, na área médica e em biotecnologia, está aplicando R$ 500 milhões nas obras do centro, a ser inaugurado em março do próximo ano. Considerada uma das maiores empresas de cosméticos do mundo, a L´Oréal também vai se instalar no polo, informa Guedes.
Com isso, ressaltou o diretor executivo do Parque Tecnológico do Rio, “chegaremos facilmente aos R$ 2 bilhões, R$ 3 bilhões em investimentos nos próximos quatro a cinco anos. Praticamente, dobraremos ou triplicaremos os investimentos que foram feitos de 2003 até hoje.”
Edição: Nádia Franco
Leia mais no Portal Agência Brasil:

Parque Tecnológico do Rio vai licitar novas áreas para empresas inovadoras

Economia criativa estimula projetos inovadores em Barra do Piraí, diz secretário

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro – O conceito da economia criativa foi o que levou à criação do Polo Audiovisual de Barra do Piraí, em 2009 e é isso que estimula o surgimento de projetos inovadores na cidade, entre os quais o Festival Internacional Estudantil de Cinema. A explicação é do secretário municipal do Trabalho e Desenvolvimento Econômico de Barra do Piraí, Roberto Monzo, coordenador do festival, que reunirá no município em abril jovens do Brasil e do mundo.
Ele entende que o desenvolvimento a partir da economia criativa é o caminho natural da cidade. “É isso que vai trabalhar o que nós temos de vocação: a valorização do nosso patrimônio histórico, natural, artístico, respeitando a tradição do município na parte cultural e as limitações em relação à topografia para a vinda de novas empresas”.
O secretário sustentou que economia criativa “é aquela que valoriza as pessoas e as coisas que o município tem. E é uma indústria sem chaminé, que não vai poluir e vai gerar conhecimento, autoestima e projeção do município”. Monzo enfatizou que o objetivo é tornar Barra do Piraí conhecida como a cidade do audiovisual e movimentar a economia do município.
Já existe no Polo Audiovisual o Núcleo Educacional de Animação 3D, no qual os jovens aprendem o processo de produção de filmes de animação. Na próxima edição do festival, em 2014, o curta metragem desenvolvido pelos estudantes do núcleo neste ano será exibido ao público.
Monzo revelou que esses alunos estão sendo certificados pela empresa norte-americana fabricante do software usado em animação e ”saem com a capacidade de se introduzir no mercado de trabalho ou de empreender como jovens produtores”. A primeira turma do núcleo de animação vai se formar em setembro próximo e já tem parceria com um canal de televisão dos Estados Unidos, onde o filme será exibido.
No segundo semestre deste ano, o secretário pretende inaugurar o primeiro Centro Vocacional Tecnológico (CVT) com foco no audiovisual do país. O centro é ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e vai trazer para Barra do Piraí cursos profissionalizantes nas áreas de produção, edição de vídeo, direção de fotografia e de sonoplastia, computação gráfica, animação em 3D.
“Vamos formar profissionais para o mercado de trabalho, já que toda a atividade econômica tem carência de mão de obra qualificada”. O CVT já funciona com cursos de moda, que é outra vocação da cidade.
Edição: Tereza Barbosa

Economia Criativa tem agenda cheia em BH

O diretor de Desenvolvimento e Monitoramento da Secretaria da Economia Criativa do Ministério da Cultura (SEC/MinC), Luiz Antonio de Oliveira, apresenta os programas e ações desenvolvidos pelo MinC para a economia criativa brasileira amanhã, dia 15, em Belo Horizonte.
A exposição do diretor do MinC começa às 10h e está na programação de um seminário promovido pela Fundação Municipal de Cultura como parte do programa Agenda Criativa, desenvolvido pela prefeitura da capital mineira. O evento vai discutir as cadeias produtivas ligadas aos segmentos criativos de Belo Horizonte e tem a finalidade de subsidiar um programa de ações voltadas à sustentabilidade do setor.
Ainda na capital mineira, o diretor da SEC/MinC participa, à tarde, do Salão Mineiro de Turismo, onde também falará sobre o tema Economia Criativa e as ações desenvolvidas pelo MinC. Após, concederá entrevista para o Planeta, programa semanal de reportagens especiais da TV Rede Minas (emissora pública), que será gravada durante o Salão Mineiro de Turismo.
 (texto: Ascom/SEC/MinC)
Fonte: MinC

Inovação aplicada ao desenvolvimento da Economia Criativa

Marcelo Davila

A Secretária da Economia Criativa do Ministério da Cultura (SEC/MinC), Cláudia Leitão, é uma das palestrantes da Conferência Internacional de Inovação Aplicada ao Desenvolvimento promovida pela fundação Barcelona Media Inovação Brasil (BMiBrasil), que será realizada nesta quinta-feira, dia 14, em Salvador (BA), e reunirá especialistas internacionais e nacionais para discutir inovação aplicada ao desenvolvimento em setores como turismo, cultura  e economia criativa. A secretária do MinC  participa do painel Economia Criativa: como construir o Modelo Brasil, que inicia às 9h45.
Veja a programação.
Fonte: MinC/OBEC