Primeiras notas sobre Biotecnologia e Psiquismo: quem é você e quem sou eu?

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Caso algum dia tenhamos uma versão virtual de nossas almas, será crucial a compreensão do que nos define, do que representa nossa individualidade e o que nos conecta em prol do trabalho coletivo para a sobrevivência, não mais da espécie, mas para a permanência do espírito que a rege. Para visitar outros mundos, sobreviver em Marte e talvez fazer viagens através do espaço, seremos capazes de abrir mão desses corpos de carne sustentados por ossos afim de aderir a corpos menos densos, feitos basicamente de dados?

Ao chegar às primeiras conclusões sobre as forças do intelecto, no De emen­datione,1 Espinosa escreve que, “para nada omitir do que pode conduzir” ao co­nhecimento delas, é preciso ensinar “um pouco sobre a memória e o esquecimen­to”, explicando que a primeira pode ser reforçada “com o socorro do intelecto e também sem o socorro do intelecto”. No primeiro caso, o auxílio é trazido pela própria inteligibilidade da coisa — res magis est intelligibilis —, enquanto no segun­do, o amparo vem da imaginação, conforme a força com a qual esta é afetada por alguma coisa singular corporal — ab aliqua re singulari corporea. Imediatamente, Espinosa esclarece: “Digo singular: a imaginação é, com efeito, afetada somente pelas coisas singulares […]. Digo também corporais: porque a imaginação é afe­tada apenas pelos corpos”.2 (CHAUÍ, Marilena. A nervura do real: imanência e liberdade em Espinosa, vo­lume II. /A essência particular afirmativa. 2016. p.16-17)

E o que vem a ser este psiquismo que nos diferencia mas também nos aproxima possibilitando conexões com o todo?

A imagem que acabamos de traçar da inteligência viva ou do psiquismo é, identicamente, a do virtual. Por natureza, e embora esteja sempre conectado a seu corpo, o sujeito afetivo se desdobra para fora do espaço físico. Desterritorializado, desterritorializante, ele existe, isto é, cresce de fato para além do “aí”. O psiquismo, por construção, transforma o exterior em interior (o lado de dentro é uma dobra do lado de fora) e vice-versa, uma vez que o mundo percebido sempre mergulhado no elemento do afeto. (LÉVY, Pierre. O que é virtual? 1996. p.108)

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Assista ao trailer do filme.

“O que nos define não são nossas memórias mas sim nossas ações”

E o que define nossas ações? Em segundos nos quais decidimos ou fazemos escolhas por nossos atos, quais são os “arquivos “cognitivos ou afetivos que interferem em nossas ações?

A virtualidade não tem absolutamente nada a ver com aquilo que a televisão mostra sobre ela. Não se trata de modo algum de um mundo falso ou imaginário. Ao contrário, a virtualização é a dinâmica mesma do mundo comum, é aquilo através do qual compartilhamos uma realidade. (LÉVY, Pierre. O que é virtual? 1996. p.148)

Ao fim da IV Revolução Industrial, depois de todos os nossos erros e acertos para desenvolver o “Data-Humanoide”, talvez cheguemos à conclusão que nosso primeiro modelo – feito de carne, osso, alma e espírito – fosse um magnífico modelo desenvolvido pela ciência divina. Será que a verdade está lá fora???

Melhor não jogar a criança fora junto com a água do banho. 😉

4klan 

Referências:

A Vigilante do Amanhã – Ghost in the Shell: Baseada na internacionalmente aclamada ficção científica “Ghost In The Shell” é a história de Major, uma máquina de combate, ciborgue-humana-híbrido, única de sua espécie, que líder a unidade de inteligência de elite: Sessão 9. Dedicados a capturar os criminosos mais perigosos e extremistas, a Sessão 9 é confrontada com um inimigo que tem como único objetivo acabar com os avanços tecnológicos da Hanka Robotic. – Paramount Pictures Brasil/ Fonte: Canal Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=–DYzP4RjEA

CHAUÍ, Marilena. A nervura do real: imanência e liberdade em Espinosa, vo­lume II: Liberdade / Marilena Chaui. – 1a ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 2016.

LÉVY, Pierre. O que é virtual? /Pierre Lévy; tradução de Paulo Neves. – São Paulo: Ed. 34, 1996.

MORACE, Francesco. 1959 – O que é Futuro?/ Francesco Morace; trad. Simone Bueno da Silva. – São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2013.

MORIN, Edgar, 1921 – Rumo ao abismo?: ensaio sobre o destino da humanidade/Edgar Morin; tradução Edgar de Assis Carvalho, Maria Perassi Bosco. – Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011.

TARGA, D.C. Leibniz, o individual e suas fissuras. Florianópolis, 2009. 140 p. Dissertação (Mestrado em filosofia) – [Leibniz, the individual e his clefts]. Departamento de Filosofia, Centro de filosofia e ciências humanas, Universidade Federal de Santa Catarina.

 

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O FRUTO DA SABEDORIA

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Passará por provas e expiações. Enfrentará a cova de Leões e deverá sair de todas estas provas como um “profeta na presença do espírito santo”. Caso seja um pesquisador, deverá sobreviver aos assédios dos oponentes e continuar confirmando frente sua realidade os fatos científicos que conseguir registrar. Eis o desafio!

Depois da árvore do fruto do conhecimento do bem e do mal, o que uma consciência pode esperar senão as provas sobre sua própria capacidade de resistir e sobreviver por meio de sua própria confiança?

Coma da “maçã persa”, pegue um tapete mágico e desperte, e expanda como Inanna ao receber os ME´s de Enki; e torne-se mais que um simples ser humano nas marés da ignorância, erice Kundalini. Mas cuidado, ao abrir os olhos poderá ver e será visto. Não tropeçará na serpente, não profanará o conhecimento do bem já que o mal o testará até as últimas consequências! Tal qual Jesus em jejum por quarenta dias no deserto.

Aí, você vai parar de ler este texto e dizer, acho que nossa blogueira se transformou numa “cristã” convicta! Não se assuste meu caro leitor, há quem diga que Jesus é um Exu, portanto não espere que o cristianismo invada estas linhas escritas às pressas – pois sou jovem na viagem que o conhecimento me propôs e após inicia-la não posso mais impedi-la de ir adiante. Não importa e não vem ao caso. Mas creio, e creio sem ser uma “crente”, que as lições mais importantes sobre a vida que tentamos construir no futuro tecnológico com o qual sonhamos, já foram experimentadas. Alguns chamam de iniciação crística, outros de iluminação do espírito.

Cultive a pureza, a doçura e a imparcialidade. Ética e harmonia nos gestos e na linguagem. Para quem possui conhecimento (do bem e do mal!) ser menos é mais. Lição que todos aprendem e demoram um pouquinho para estalar os dedos dizendo, EUREKA!!!

Conforme citação da Bíblia sobre o verdadeiro conhecimento, que Tiago em epístola aos apóstolos chama de sabedoria:

“A sabedoria, porém, que vem lá de cima, primeiramente é na verdade casta, depois pacífica, moderada, dócil, susceptível de todo o bem, cheia de misericórdia e de bons frutos, não julga, não é dissimulada. Ora o fruto da justiça se semeia em paz, por aqueles que fazem obras de paz.” (Tiago 3, 17-18)

No entanto, não se iluda, fazer obras de paz provoca um desgaste imenso pois os bons combatentes precisam aprender a sobreviver à guerra diária e invisível que os provoca a guerrear sem se tornarem sanguinários, mas sempre justos tal qual o Arcanjo Miguel, único a empunhar uma espada em defesa da dignidade. O resto é puro amor, fogo que liberta se você abrir as portas da alma.

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O Estado insidioso

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Quando o Estado resolve tornar-se um saqueador de recursos, a primeira atitude dos gestores públicos sem ética é corromper a ordem e a harmonia dos processos judiciais. Quando um cidadão procura a justiça do trabalho com o intuito de buscar seus direitos, ele jamais imagina as estratégias sórdidas das quais o Estado é capaz de lançar mão para nunca pagar ações trabalhistas.

Desde corromper os sindicatos até demitir mulheres grávidas sem justa causa, até mesmo atitudes insidiosas de lançar mão da participação de outros órgãos que compõem a gestão pública. A ação pode começar na Vara Trabalhista e acabar em Varas de Família e Criminal porque desde o começo os processos foram corrompidos por ações de servidores públicos e gestores sem escrúpulos. O vício dos vícios é a tentativa constante de mudar fatos ou de criar situações que beneficiem os interesses de pessoas que usam insígnias de servidores do Estado.

Nunca imaginei que pudesse travar uma batalha tão destrutiva com o Estado desde que resolvi processar a empresa CEMIG TELECOM e CEMIG por assédio moral e racismo. Nunca em minha vida modesta e de trabalho e estudos, desde sempre, nunca pensei que o Estado fosse capaz de infiltrar pessoas tão sórdidas em meu cotidiano apenas para tirar proveito processual na tentativa de me transformar numa, digamos, “planta sem raciocínio”!

Quando o estado tem nas mão o poder de vazar suas contas de internet, usar suas fotos, invadir sua rede residencial, tirar proveito de seus projetos e empreendimentos pessoais nada pode impedi-lo senão os limites espirituais que, caso possam existir, buscam a transcendência, a compaixão e o respeito ao próximo. Princípios essenciais de qualquer grupo religioso.

Assim como Maria Madalena, a grande incentivadora e discípula do Cristo, foi transformada em nada menos que uma “prostituta”, vejo o Estado transformando vidas comuns em burros de carga destinados a carregar peso extra que servidores sem escrúpulos tomam em conta como proveitosos investimentos de longo e médio prazo.

O Estado vive o pior momento, o momento das trevas em que a Lua se põem alta no céu e nas ruas apenas cachorros em busca de restos de comida. O slogan do Estado é o trabalho no entanto baseado em ações sujas e juridicamente forjadas por pensamentos criminosos tomando como base o amparo das Leis deste país.

Um ambiente nauseado que cheira azedo a mofo e mijo, local onde o Estado pretende chamar de República Democrática, por hora, não passa de uma República Demoníaca que não permite a participação dos cidadãos, apenas os saqueia e extorque sem trabalhar por equilíbrio social.

Nestes casos o que podemos fazer para reverter ações tão obscuras? Somos tão pequenos quanto o Hobbit, somos tão insignificantes quanto as formigas, somos o povo, apenas.

O que podemos fazer? Só podemos fazer o que eles não querem, reestruturar todas as regras do jogo e refazer as normas com as quais as ditas instituições trabalham!  Nunca atenda a burrice burocrática de um sistema corrompido!

É fato vivido!

Reflexões sobre a Individualidade, conforme LEITURA II – Spinoza

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Ainda refletindo o olhar MACROCÓSMICO SOBRE A INDIVIDUALIDADE, conforme a citação:

Podemos evocar neste ponto a maneira como Gilles Deleuze diz que toma emprestado de Duns Scoto uma distinção elaborada na Idade Média, para tentar estudar uma forma de individuação da essência modal, individuação de ordem intensiva, que não exige pensar as essências das coisas singulares da mesma maneira que as coisas existentes, quer dizer, como partes exteriores umas das outras.

Não podemos distinguir as coisas existentes senão na medida em que suas essências são supostas distintas; da mesma maneira, toda distinção prévia. Por isso é provável que uma essência de modo correspondente não existe. Mas como? Voltemos a Duns Scoto: a brancura, diz ele, tem intensidade variáveis: elas não são acrescentadas à brancura como coisa a outra coisa, como uma figura se une a um muro sobre o qual é traçada; os graus de intensidade são determinações intrínsecas, modos intrínsecos da brancura, que permanece univocamente a mesma sob qualquer modalidade que seja considerada. (Deleuze. Spinoza et le problème de l´expression. Paris: De Minuit, 1973, p. 179)

A tonalidade do branco só é vista a partir da união dos pontos por polegada. Vários tons de branco poderão ser encontrados a partir de pontos de vista diferentes. A individualidade não interfere na totalidade do branco mas ela se faz necessária para compor diferentes resultados do todo.

Do infinito ao indivíduo, o ser da substância se exprime na potência singular como potência do múltiplo.

Há uma sincronicidade orgânica/eletromagnética, entre os corpos-substância e ela não se sobrepõe à individualidade mas a complementa, tornando-a potência conforme as combinações entre os corpos.

Tais corpos formam as partes componentes, abstratamente isoladas, dos indivíduos, apresentando propriedades comuns mínimas e, portanto, poucos traços distintos. Inversamente, pode-se adiantar que a única realidade concreta é o indivíduo, corpo composto de uma infinidade de corpos.

Atuando sobre os corpos as leis DO TEMPO, DO ESPAÇO E O ELETROMAGNETISMO. AINDA HÁ LEIS SOBRE ELES QUE DESCONHECEMOS, AS LEIS QUE SE REFEREM AO ATRITO ENTRE OS CORPOS INFORMACIONAIS. (MEMÓRIA, COMUNICAÇÃO, LINGUAGEM E ACOPLAMENTO DE CONSCIÊNCIAS) – Outra Referência: MATURANA – A ÁRVORE DO CONHECIMENTO (2001. 8ª. Ed. De 2010).

De fato, as relações mecânicas entre os modos da extensão provocam uma composição dos corpos. Há assim uma continuidade entre os corpos simples e os corpos compostos, mesmo se os corpos compostos podem distinguir-se uns dos outros segundo uma relação de proporção entre o movimento e o repouso, a velocidade ou a lentidão. Também quanto mais um corpo é composto, mais está em condições de distinguir-se, em numerosos aspectos, dos outros corpos. O próprio corpo humano é um corpo composto. A sua originalidade e sua riqueza respondem aos caracteres gerais dos corpos compostos, mesmo se o corpo humano é, como tal, particularmente complexo, tanto em matéria de composição como de integração, quer dizer, de síntese entre suas partes.

A sincronicidade entre os corpos não depende da fisicalidade deles, está além da velocidade que cada um dos corpos imprime no espaço. O que os conecta é a COMUNICAÇÃO entre eles. Há uma dança no espaço e eles não pisam os pés dos parceiros (risos).

Quando um certo número de corpos da mesma ou de diversas grandezas sofrem da parte dos outros corpos uma pressão a aplicar-se uns sobre os outros; ou, se eles se movem com o mesmo grau ou com graus diferentes de rapidez, de tal maneira que comunicam os seus movimentos entre si segundo uma relação constante, diremos que esses corpos estão unidos entre si e que, em conjunto, formam todos um corpo, isto é, um indivíduo que se distingue dos outros por essa união de corpos. (Ética, II prop. 13, definição após o axioma 2).

Aproximação e distanciamento eletromagnético. Frequência e vibração energética representam as pressões do ambiente, assim como a relação entre os corpos celestes em movimento no espaço.

Spinoza deduz duas leis complementares da formação do indivíduo. De um lado, a coação exterior (a “pressão do ambiente”), que impõe aos corpos uma certa relação;

SINCRONIA. TEMPO E ESPAÇO – ALÉM FISICALIDADE/” interioridade”. COMUNICAÇÃO CONSTANTE.

Mas esta invariância se diversifica numa série mais ou menos rica de relações constantes, que podem estabelecer-se entre as partes do indivíduo, de tal maneira que essas partes se comuniquem o movimento sem prejudicar a unidade do conjunto.

Assim, fica claro que a identidade individual não pode ser concebida fora das relações que o indivíduo é suscetível de manter com o mundo exterior. O indivíduo, de fato, é inteiramente constituído pelas relações exteriores que se estabelecem entre os modos da matéria; em si mesmo ele é uma composição de corpos que vai ao infinito, sem que em parte alguma uma “interioridade” possa ser descoberta.

Leis de Kepler sobre as órbitas dos corpos celestes. Como e porque eles não colidem.

(…) que o indivíduo é igualmente uma essência, atualizada pela relação entre as coisas finitas: essa essência própria age como tendência a perseverar no ser e a resistir àquilo que tende a destruir o indivíduo. (Ética, II, prop. 6 e 7).

A INDIVIDUALIDADE COMO NÚCLEO – UNIDADE DA SUBSTÂNCIA. Capacidade de se dividir e regenerar. Capacidade do indivíduo de ser um e de ser vários corpos em constante comunicação recíproca.

Quais são, todavia, as mudanças que o indivíduo pode suportar sem ser destruído? Os lemas 4 a 7 descrevem as variações que não afetam a identidade do indivíduo, enquanto essas modificações ficam compreendidas na proporção de movimento e de repouso, que definem a estrutura invariante de seu ser. A regeneração mostra que, se os corpos exteriores substituem as partes que se separaram do indivíduo, este mantém a sua unidade.

A relação entre os conjuntos compostos é também uma das formas através das quais pode-se analisar a relação entre os corpos informacionais no ciberespaço. A forma como a individualidade determina a complexidade destes conjuntos compostos ainda precisa ser analisada e devem ser conhecidas suas implicações.

LEITURAS II – Filosofia / Spinoza

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(…)

Isto quer dizer que o indivíduo deve ser compreendido como uma realidade composta, que é explicado às vezes segundo as relações mecânicas da matéria e como a afirmação de uma potência de ser. E é por esta razão que esse mesmo indivíduo, desde que é produzido por leis mecânicas sob a relação de composição que caracteriza, tende a perseverar na existência em virtude da força causal de sua própria essência. Uma tal força de expressão, nesse ser singular, da causalidade do infinito, imanente a todas as coisas.

Fica claro, pois que, se o indivíduo possui uma essência própria, a existência em ato desse mesmo indivíduo tem por condição uma relação determinada entre os corpos. Esta relação se constitui em função das leis da matéria. Não se trata, pois, de evocar, à maneira de Leibniz, uma tendência da essência, considerada como um possível, a passar para existência; no entanto, já existe uma certa união de corpos, em razão de causas transitivas que afetam os modos da extensão, a essência do indivíduo em questão se exprime na existência como uma essência atuante, pela qual o indivíduo tende a perseverar no ser e, como veremos mais adiante, a aumentar sua potência de agir. Nem por isso se deve imaginar uma espécie de dualidade entre a essência do modo, que é definida fora do atributo como relação mecânica a outros modos, aqui, o corpo, visto que consideramos a existência física do indivíduo. Não esqueçamos que a essência, tal como ela existe no atributo coisa. Certamente, a essência do modo, tal que existe no atributo no sentido de um grau de potência singular, deve ser distinguida da existência modal do ser singular e finito do qual é essência. É preciso também acentuar que a essência do corpo, assim como o corpo existe atualmente, depende de Deus; ela não se produz por ela mesma, mas possui em Deus a sua causa. A essência mantém no atributo uma relação qualitativa de comunidade com todas as outras essências não deve ser concebida de maneira exterior como se se tratasse de partes distintas do espaço; as essências se diferenciam qualitativamente do mesmo modo que, por exemplo para Bergson, não é possível separar um som ou um sentimento da continuidade da melodia ou das variações de intensidade da vida afetiva.

Podemos evocar neste ponto a maneira como Gilles Deleuze diz que toma emprestado de Duns Scoto uma distinção elaborada na Idade Média, para tentar estudar uma forma de individuação da essência modal, individuação de ordem intensiva, que não exige pensar as essências das coisas singulares da mesma maneira que as coisas existentes, quer dizer, como partes exteriores umas das outras.

Não podemos distinguir as coisas existentes senão na medida em que suas essências são supostas distintas; da mesma maneira, toda distinção prévia. Por isso é provável que uma essência de modo correspondente não existe. Mas como? Voltemos a Duns Scoto: a brancura, diz ele, tem intensidade variáveis: elas não são acrescentadas à brancura como coisa a outra coisa, como uma figura se une a um muro sobre o qual é traçada; os graus de intensidade são determinações intrínsecas, modos intrínsecos da brancura, que permanece univocamente a mesma sob qualquer modalidade que seja considerada. (Deleuze. Spinoza et le problème de l´expression. Paris: De Minuit, 1973, p. 179)

Da mesma maneira, a existência atual do indivíduo à medida que esse indivíduo é formado por outra união de corpos, não deve ser concebida como outra coisa, ou uma realidade separada, separada da essência tal como esta existe no atributo. Com efeito, a distinção entre atributo e modos é uma distinção modal, e devemos lembrar neste ponto que a função dos modos infinitos imediatos e mediatos, tal como estudamos no primeiro capítulo, a respeito da produção das coisas singulares, é suprimir a ficção de um desdobramento entre, por um lado, a determinação dita interna de modo por Deus – sendo Deus como a causa interna da essência do modo no seio do atributo – e, por outro lado, sua determinação dita externa pelo sistema infinito de reenvio de causas finitas. Na realidade, Deus ou o infinito, é sempre causa próxima do finito; é a própria produtividade do infinito que se compreende no atributo, onde as essências de modo constituem intensidades singulares, e na extensão modal, onde se manifestam corpos distintos uns dos outros, tendo a existência de cada um deles por condição, em parte, a ação dos outros corpos. O finito é, pois infinito, tanto na ordem da essência como na da existência. Por conseguinte, a essência não é composta da mesma maneira que as relações dos corpos entre eles. Ela exprime uma potência determinada as indecomponível, uma afirmação da substância no indivíduo e, inversamente, uma força de ser do indivíduo. Também se deve renunciar a ver na essência singular uma finalidade interna qualquer; o indivíduo tem uma essência singular e existe sob a forma de uma certa relação entre uma infinidade de partes. Do infinito ao indivíduo, o ser da substância se exprime na potência singular como potência do múltiplo.

Os corpos simples são produzidos pelo modo infinito imediato, quer dizer, pela relação de movimento e de repouso que resulta da natureza absoluta da extensão. Os corpos simples se distinguem entre eles pelo movimento e pelo repouso, pela velocidade e pela lentidão. Não formam um indivíduo distinto senão sob a única condição que um, por exemplo, se desloca, enquanto o outro permanece imóvel, ou se movem a velocidades diferentes. A extensão produz assim suas partes como acontecimentos relativos, definidos unicamente por relações exteriores. Nessas condições, o corpo simples não pode senão manter seu estado, quer dizer, conservar a sua velocidade; o seu contato limita-se ao princípio da inércia. Além disso, é preciso sublinhar que mesmo esta conservação simples implica a resistência do corpo simples ao outros corpos, a fim de manter a trajetória em linha reta. Convém, portanto, ter presente no espírito o fato de que estes corpos simples não são corpos indivisíveis e elementares; Spinoza diz somente que eles são muito simples, o que significa que podem ser divididos ainda. Estes corpos simples são de fato uma abstração teórica, pois são pensados a partir de corpos efetivamente reais. No entanto, a sua simplicidade relativa consiste na simplicidade das formas de relações pelas quais se distinguem entre eles: o movimento e o repouso, a velocidade e a lentidão (Ética, II, prop. 13, axiomas 1 e 2). Tais corpos formam as partes componentes, abstratamente isoladas, dos indivíduos, apresentando propriedades comuns mínimas e, portanto, poucos traços distintos. Inversamente, pode-se adiantar que a única realidade concreta é o indivíduo, corpo composto de uma infinidade de corpos.

. Há assim uma continuidade entre os corpos simples e os corpos compostos, mesmo se os corpos compostos podem distinguir-se uns dos outros segundo uma relação de proporção entre o movimento e o repouso, a velocidade ou a lentidão. Também quanto mais um corpo é composto, mais está em condições de distinguir-se, em numerosos aspectos, dos outros corpos. O próprio corpo humano é um corpo composto. A sua originalidade e sua riqueza respondem aos caracteres gerais dos corpos compostos, mesmo se o corpo humano é, como tal, particularmente complexo, tanto em matéria de composição como de integração, quer dizer, de síntese entre suas partes. Spinoza define assim o indivíduo, enquanto é uma união de corpos:

Quando um certo número de corpos da mesma ou de diversas grandezas sofrem da parte dos outros corpos uma pressão a aplicar-se uns sobre os outros; ou, se eles se movem com o mesmo grau ou com graus diferentes de rapidez, de tal maneira que comunicam os seus movimentos entre si segundo uma relação constante, diremos que esses corpos estão unidos entre si e que, em conjunto, formam todos um corpo, isto é, um indivíduo que se distingue dos outros por essa união de corpos. (Ética, II prop. 13, definição após o axioma 2).

Spinoza deduz duas leis complementares da formação do indivíduo. De um lado, a coação exterior (a “pressão do ambiente”), que impõe aos corpos uma certa relação; de outro lado, a comunicação da mesma proporção de movimento e de repouso, entre as partes que constituem um indivíduo. A unidade do indivíduo pode ser enunciada como a proporção constante de movimento e de repouso entre suas partes, que delimita esse indivíduo em relação aos corpos circundantes. Mas esta invariância se diversifica numa série mais ou menos rica de relações constantes, que podem estabelecer-se entre as partes do indivíduo, de tal maneira que essas partes se comuniquem o movimento sem prejudicar a unidade do conjunto. Sabendo que a unidade do arranjo é função de suas relações com o mundo exterior, é evidente que a complexidade interior do indivíduo, ou sua aptidão para variar a relação entre suas partes, ao mesmo tempo em que mantém a sua unidade de conjunto, define sua aptidão a resistir ao mundo exterior e a manter a estabilidade de seu ser, usando a elasticidade que sua riqueza de composição lhe permite. Assim, fica claro que a identidade individual não pode ser concebida fora das relações que o indivíduo é suscetível de manter com o mundo exterior. O indivíduo, de fato, é inteiramente constituído pelas relações exteriores que se estabelecem entre os modos da matéria; em si mesmo ele é uma composição de corpos que vai ao infinito, sem que em parte alguma uma “interioridade” possa ser descoberta. Vimos, porém, que o indivíduo é igualmente uma essência, atualizada pela relação entre as coisas finitas: essa essência própria age como tendência a perseverar no ser e a resistir àquilo que tende a destruir o indivíduo. (Ética, II, prop. 6 e 7).

Quais são, todavia, as mudanças que o indivíduo pode suportar sem ser destruído? Os lemas 4 a 7 descrevem as variações que não afetam a identidade do indivíduo, enquanto essas modificações ficam compreendidas na proporção de movimento e de repouso, que definem a estrutura invariante de seu ser. A regeneração mostra que, se os corpos exteriores substituem as partes que se separaram do indivíduo, este mantém a sua unidade. Do mesmo modo, o crescimento é suportável se a modificação de grandeza das partes do indivíduo permanece nos limites de uma relação constante de movimento e de repouso entre essas partes; as partes podem deslocar-se umas em relação às outras e modificar a direção de seu movimento, sob a condição de se reproduzir a direção de seu movimento, uma relação constante. Enfim, o próprio indivíduo é suscetível de mobilidade, de ajustamentos diversos das a partes de seu corpo no curso de seus gestos e de seu comportamento; esta flexibilidade, todavia, não altera a relação total que define o compósito.

Estas observações permitem abordar a originalidade do corpo humano, que consiste na riqueza de sua composição e em sua integração forte, o que permite amplas mudanças de forma e uma renovação importante das partes componentes. Os seis postulados que concluem o apêndice dedicado à física da proposição 13, parte II da Ética, enunciam estes caracteres do corpo humano. Ele apresenta um grande grau de complexidade, dado que é formado pelo arranjo em vários níveis de conjuntos muito compostos (1º postulado). Daí resulta uma grande variedade interna de conjuntos muito compostos que constituem o indivíduo: partes fluidas, moles ou duras. Esta diversidade de estrutura permite uma grande aptidão à mudança de figura e de movimento (2º postulado). Uma tal diversidade, bem como a variabilidade dos subconjuntos que compõem o indivíduo, permite que este seja afetado de numerosas maneiras ao mesmo tempo em que conserva a sua forma. O indivíduo pode tanto mais facilmente fazer aquilo que depende de sua própria natureza, quer dizer, ser ativo, que pode suportar um máximo de variações externas ao mesmo tempo que conserva um funcionamento autônomo (3º postulado). Este é motivo por que ele tem necessidade de um fluxo de corpos exteriores que garantam a sua renovação (4º postulado). Enfim, a diversidade dos tecidos que constituem o corpo permitem que ele guarde os traços de afecções, o que garante a sua sensibilidade bem como o seu poder de reagir (5º postulado). Em conclusão, o arranjo sofisticado das partes do corpo humano permite agir segundo um grande número de maneiras sobre os corpos exteriores (6º postulado). O corpo humano é, por conseguinte, um indivíduo marcado pela riqueza do exterior. Ele pode modificar o mundo e ser modificado por ele em razão de sua aptidão a ser afetado, que é ao mesmo tempo ampla e está em condições de evoluir.

RIZK, Hadi. Compreender Spinoza; traduação de Jaime A. Clasen. – Petrópolis, RJ, Vozes, 2006. (Capítulo 3: O INDIVÍDUO)

LEITURAS I – Filosofia / Spinoza

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Física da individualidade

Spinoza exclui qualquer assimilação do indivíduo a uma forma de realidade orgânica dotada de uma unidade específica, distinta da relação mecânica entre partes extensas que estão necessariamente em exterioridade umas em relação às outras. Quer dizer, a que ponto a temática spinozista do indivíduo é exclusiva de toda finalidade interna que se julga que ligam as partes do organismo umas às outras em função da totalidade que elas formam. Muito ao contrário, o indivíduo é uma realidade constituída pela união de corpos que concorrem entre eles, segundo as leis mecânicas. O indivíduo, por conseguinte, não pode ser confundido com um sujeito, no sentido de uma substância subjacente e suas variações.

Por coisas singulares entendo as coisas que são finitas e que têm uma existência determinada. Se acontece que vários indivíduos concorrem para a uma mesma ação, de tal modo que todos em conjunto sejam a causa de um mesmo efeito, considere-os, então, todos juntos como constituindo uma mesma coisa singular (Ética, II, def. 7 -Spinoza)

Nestas condições, o raciocínio pode deduzir, a partir das coisas singulares e da unidade somente relativa, funcional, que se estabelece entre algumas delas, a ideia de um conjunto definido pela ação que ele exerce. Uma unidade semelhante é de ordem histórica na medida em que depende de um encontro momentâneo entre esses corpos. Também a unidade que parece ser o caráter do indivíduo não pode persistir senão enquanto as condições exteriores mantêm a relação que forma o indivíduo. Do mesmo modo, as interações entre partes no seio do indivíduo não devem colocar em perigo a coesão do conjunto. Por conseguinte, aplica-se uma relação puramente exterior entre partes distintas que coexistem entre elas sem cessar de ser determinadas por outras relações exteriores.  A ação de uns corpos sobre os outros é explicada pela causalidade mecânica que liga as coisas finitas entre elas. Também esta regulação puramente funcional, totalmente transitiva – cada causa exercendo seu efeito fora dela mesma – aparenta-se com uma “pressão do ambiente” que remete ao jogo de todas as causas materiais umas em relação às outras, de maneira indefinida. A ideia do todo, então, é relativa; ela consiste, por exemplo, em isolar tal partícula do sangue, ou da linfa, do sangue tomado em sua totalidade, ou ainda isolar o próprio sangue do resto do organismo ou ainda do ambiente material e do universo em sua integridade*(Carta 32 a Oldenburg – Os pensadores Vol. XVII, p. 390-392). Somente depois que a parte é assim separada, de maneira abstrata, das interações que ela mantém com o resto, é que ela pode ser imaginada como um todo; é assim, por exemplo, com o sangue, tal como foi entendido como um todo unificado, quando as relações de concorrência ou de contrariedade jogam entre as partes que o compõem.  Em resumo, o próprio sangue como indivíduo não é outra coisa senão a organização de suas partes, em função de leis que se estabelecem entre elas. Seguem-se que a noção de todo se confunde com a figura de um conjunto determinado pela ligação de suas partes; esse todo aparece, por conseguinte, como relativamente distinto do resto. Mas uma tal imagem está de fato marcada pelas leis da finitude. Ao contrário, o pensamento adequado relaciona as coisas finitas e singulares entre elas e forma assim conjuntos compostos, o quais estão em relação com outros conjuntos. Os conjuntos assim descritos integram-se uns aos outros em sistemas superiores, os quais, por sua vez, estão em relação entre eles. Etc. A perspectiva muda se for evocado o universo: neste caso não poderia existir encerramento possível do sistema infinito dos efeitos da substância, pois não existe nada em relação a que o universo formaria um todo fechado. Neste caso, a individualidade do universo é dita de uma realidade complexa, infinita, aberta sobre efeitos infinitos não totalizáveis. Na carta 32 a Oldenburg, o raciocínio de Spinoza leva a esta generalização:

Com efeito, todos os corpos estão circundados por outros e se determinam reciprocamente para existir e operar em relações determinadas, mantendo sempre constante em todos os corpos (isto é, o universo inteiro) a mesma relação de movimento e de repouso.

Para compreender direito os problemas que o status da individualidade apresenta, uma comparação com Descartes, pode ser frutuosa. Com efeito, na sua carta a Mesland, de 9 de fevereiro de 1645, Descartes distingue o corpo em geral e o corpo de um homem. O corpo em geral é uma parte da extensão, cuja identidade numérica é alterada se uma parte da matéria que o compõem é subtraída; em compensação, o corpo do homem está unido a uma alma cuja unidade indivisível se aplica à realidade psicofísica assim formada: o corpo do homem evolui durante a existência, partes suas são retiradas, outras são acrescentadas a ele, por exemplo durante o crescimento, mas sua unidade de conjunto permanece apesar de tais variações. Por isso a individualidade do corpo humano parece ser explicada, em Descartes, por uma causa que excede o domínio próprio da extensão, visto que faz a alma intervir. Ao contrário, o breve opúsculo de física, introduzido por Spinoza após a proposição 13 da parte II da Ética, tem a função de descrever uma gênese estritamente física da individualidade a partir da composição dos corpos. Spinoza restabelece neste sentido uma continuidade entre o conjunto dos corpos ditos inanimados, o mundo animal e o corpo do homem: os limiares entre esses diferentes domínios depende de uma complexidade de ordem puramente física.

O indivíduo físico, tal como é formado por uma união de corpos, é composto de uma infinidade de partes. A essência do indivíduo, por conseguinte, não pode consistir numa substância simples que reduziria uma tal diversidade à unidade. Devemos até considerar que a essência ou potência de existir do indivíduo consiste no ato de afirmação por ela mesma desse indivíduo. Ainda é preciso que esse indivíduo tenha surgido no tecido das coisas naturais, o que supõe que a relação funcional entre partes materiais, tal como corresponde à essência desse mesmo indivíduo, seja produzida causalmente na natureza. (…)

RIZK, Hadi. Compreender Spinoza; traduação de Jaime A. Clasen. – Petrópolis, RJ, Vozes, 2006. (Capítulo 3: O INDIVÍDUO)

 

 

INVESTIGANDO A MÍSTICA DA CONSCIÊNCIA NO CIBERESPAÇO I

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Consciência versus Identidades: Primeiras questões

Caso haja uma consciência no espírito ou membros atuantes humanos habitantes do
ciberespaço, é preciso perguntar por onde ela começa. Começa na descoberta de um EU,
em um EU SOU (aquele que se reconhece e que se identifica tal qual é qualquer que seja a circunstância) – os seus avatares escolhidos em detrimento de sua realidade física.

“semântic avatar” : “Boldly generalizing from the trends identified in this text, I predict that in the digital civilization of the future, the self-referential loop in which our subjective identity is constructed will cut across ecosystems of ideas and, especially, semantic avatars of individuals.” (Pierre Lévy – The Data Centric Society. Jan.2015)

Caso exista esta consciência, será preciso dizer que ela é diferente do que entendemos por “identidades” (ID).

Creio que a consciência não tem nacionalidade, está além do espaço-tempo. Habita lugares diversos em tempos simultâneos, como nossos pensamentos e ideias que conversam dentro de nós ruidosamente, em diversos canais do espaço-tempo.

A identidade é física, frágil e muitas vezes móvel. Sim, porque em alguns momentos
incorpora as nuances da consciência que lhe empresta a experiência do ser-estar.
Identidades poderiam ser pequenas porções de uma consciência.

A identidade agrupa coleções ao redor de si, coleções com significados que alimentam a
consciência – sejam estes conteúdos, seus dons, fantasmas, defeitos ou virtudes. Memórias da fragmentadas de sua essência.

Há dualidade, há conflito porém os significados estão intimamente conectados,
entrelaçados, e caoticamente espalhados no todo. Um quebra-cabeças para uma única
consciência decifrar. Será possível?
Percebam bem, a identidade é o agregador de signos, conteúdos… e a consciência, por sua vez, é a que tem a capacidade combinatória para extrair significados dos conteúdos que cultiva.

O conteúdo não é um bem a ser possuído, o conteúdo é absorvido (diria que de maneira
celular) em doses individuais de sentido, agregadas à energia mais compatível com o
momento no qual a consciência está e é.

Portanto, não há temporalidade linear. O futuro e o passado são percursos intermináveis
para a consciência que busca o conhecimento de si e do todo. O futuro e o passado
colocam a consciência mais ciente do seu papel no agora. Somente na intimidade de seus
signos e significados pessoais está a sua própria resposta.

O primeiro passo da consciência é a própria liberdade e saber-se livre para consagrar categorizações que signifiquem e a conectem ao todo. Tudo que no meio deste processo autoconhecimento for conflituoso ou impreciso, poderá ser descartado gerando falhas, lacunas.

O que fazer quando no ciberespaço temos uma infinidade de identidades para uma mesma consciência? (Por vezes, consciência indecifrável! Quero dizer, difícil de catalogar, categorizar).

Então, como iniciar o desenvolvimento de uma consciência se não conseguirmos unir as
pontas de suas identidades? E, mais adiante, pensando em inteligência artificial, temos
nisso um dilema. Haverá a compreensão de que a identidade sofre mutações de humor de acordo com seus estados de espírito?

Evidentemente já temos alguns algoritmos para isso, no entanto, falta-nos a poesia da
“singularidade”.

Em que momento despertaram as consciências? Onde elas conseguem se perceber? Não
seria no olhar egocêntrico de Narciso ao contemplar sua própria imagem no espelho
d´água. Mas o “olhar-se” (Ser o próprio OBSERVADOR) é, com certeza, é um dos primeiros passos na iniciação de uma consciência.

Esta iniciação que tem princípios tais como os fundamentos de iniciação espiritual leva à
afinação da alma como um instrumento musical que descobre como fazer parte da
orquestra.

O devido valor dado à individualidade leva-nos a compreender papéis e responsabilidades no conjunto.
….